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“Trabalhámos para termos uma freguesia que fosse reconhecida pelo seu dinamismo”

Presidente da Junta de Freguesia do Campo, Carlos Lima, destaca “uma dezena de anos inovadora e virada para o futuro”. A cultura, mas também empreitadas em todas as localidades, foram algumas das prioridades do executivo

Prestes a terminar o último mandato, que balanço é que faz destes 12 anos?
Na minha ótica, acho que é um balanço muito positivo. Acho que foi, acima de tudo, uma dezena de anos inovadora muito virada para o futuro, com um cunho que prestigiou muito a freguesia do Campo e o norte do concelho porque foram encetadas dinâmicas durante estes 12 anos que não existiam no passado e de que, de facto, me orgulho. Foi um trabalho feito, muito aturado com a comunidade e só desta forma é que conseguimos levar a bom porto uma série de projetos que começaram a ganhar consistência ao longo dos anos. E que agora já estão numa fase de maturidade. Entendo que quem me suceder deve fazer este aproveitamento o melhor que conseguir e, se possível, inovar ainda mais.

Fez tudo aquilo a que se propôs quando se candidatou?
Ninguém faz tudo aquilo que se propõe. Costumo dizer que o trabalho político é um trabalho inacabado, portanto, isto não tem prazo. Sabemos que tem um início, que é quando começamos a trabalhar e depois apenas prosseguimos um caminho e vamos construindo. O trabalho de presidente de junta é de permanente insatisfação porque nunca estamos satisfeitos com aquilo que fazemos porque queremos sempre fazer mais. Também não podemos fazer tudo porque não temos essa capacidade, nem financeira, nem meios humanos. De qualquer maneira, aquilo que procuramos é assumir uma atitude sempre de construção. Fomos fazendo melhoramentos estruturais na freguesia, que eram absolutamente fundamentais, mas sabemos que ainda há trabalho para fazer.

Mas tinha alguma ideia específica para a freguesia que conseguiu concretizar?
Sim, diria que, na sua globalidade, acho que consegui atingir aqueles objetivos a que me propus. Por exemplo, na melhoria das vias e criação de infraestruturas onde elas ainda não existiam. No fundo, o objetivo era dotar as aldeias de melhores condições de vida e criar valências que não existiam, por exemplo, de espaços de lazer. Foi um trabalho de dar uma maior utilidade a espaços que tínhamos, mas que não lhes prestávamos muita atenção e que agora passaram a ser vistos com outros olhos e têm uma utilização mais massiva. A verdade é que só fixamos pessoas se criarmos as condições ideais para elas viverem. A freguesia do Campo, felizmente, não foi das que foi muito afetada pela perda de população, o que também é um sinal de que as pessoas facilmente se instalam na nossa freguesia porque é relativamente perto do centro da cidade. Portanto, acho que encontram aqui no campo, as condições ideais para instalar a sua família.
Que obras é que destaca?
Costumo dizer que não gosto de fazer esse exercício porque a importância de uma obra é subjetiva. Por exemplo, uma obra de 10 mil euros, se calhar, tem tanta importância como uma obra de 100 mil em outro local qualquer. A questão não se quantifica pelo valor da obra, acho que está mais relacionado com o fim a que se destina e os problemas que soluciona. Não destacaria nenhuma obra em específico porque temos muita obra das mais variadas vertentes, seja no asfalto, no saneamento, na criação de espaços verdes, seja na criação de espaços museológicos e espaços de cultura. Se fizermos uma obra em Vila Nova do Campo e que tem importância para uma comunidade considerável, uma obra em Moselos ou em Moure de Madalena, podem ser obras mais pequenas, mas que acabam por ser vestidas de uma importância maior.

Existiram alguns desafios na freguesia que não tenham conseguido superar?
A freguesia do Campo tem o seu peso no concelho e, portanto, tem um espectro populacional muito interessante. Ao mesmo tempo, também percebemos que não conseguimos chegar a todo lado com a brevidade e com a rapidez que gostaríamos. Temos alguns locais onde ainda estamos a fazer instalação de saneamento e outras coisas que são de difícil acesso. Ao longo dos anos, fomos dando resposta, mas é um trabalho que ainda não está completo. É um trabalho que eu gostaria de ver mais concretizado, mas acho que estamos no bom caminho. Nunca deixámos de fazer esta instalação de uma infraestrutura onde ela falta, até porque começam a aparecer outras novas zonas habitacionais e responsabiliza-nos para a dotação de infraestruturas nessas zonas. É sempre uma preocupação permanente. Sabemos que temos de dotar os aglomerados populacionais de infraestruturas adequadas até porque é um garante da qualidade de vida das pessoas. São as necessidades básicas, mas é sempre um processo que nunca termina. Era isso que eu gostaria de ter feito, mas, no global, acho que não ficas nada de muito gritante por fazer.

A freguesia é conhecida pela sua agenda cultural. Foi uma das prioridades do executivo?
Também foi uma prioridade. Desde que entrei nestas funções, sempre achei que, um bocadinho à imagem do país que está inclinado para o litoral, nós temos uma cidade inclinada para o sul, onde temos infraestruturas dominantes. Acho que era a hora de começarmos a olhar para o norte e tenho a sensação de que vamos entrar numa fase muito interessante desse processo, com a criação do centro de espetáculos. Na questão da aposta na cultura tem muito a ver com conseguirmos mostrar a todos que no norte da cidade faltam algumas coisas, mas temos coisas ótimas e fantásticas. A cultura é uma área que me é cara e tenho alguma tendência para essa área. Mas acho que o trabalho que foi feito nesta área tem muito a ver com o envolvimento da comunidade, na verdade, um homem só não faz nada. Apenas criei as bases e fui criando estas teias de interesse na comunidade com todos os povos, com todas as organizações, com todos os grupos ativos, com as coletividades, IPSS, os grupos de jovens escuteiros, todos eles foram parte desse processo e desse brilhantismo. De facto, temos aqui alguns eventos que são de muita referência e já que atingiram a tal maturidade que eu falo. Foi uma aposta sólida em franco crescimento.

Ainda neste contexto, como é que está o associativismo da freguesia?
Felizmente, vão aparecendo equipas interessadas e empenhadas que acabam por dinamizar muito não só a própria coletividade, como a aldeia onde ela está inserida. E todas as aldeias têm e todas elas acabam por acolher iniciativas que se vão realizando. E dentro destas coletividades também aparecem grupos que sabemos que são importantes porque são grupos que nos representam não só aqui, mas representam-nos por país todo. O grupo GiraFoles já percorrem o país todo e é uma característica nossa muito própria. Depois temos o nosso grupo de bombos, as tunas e os ranchos. Nós temos a matéria-prima, portanto, seria um desperdício da minha parte não aproveitar estes talentos que nós temos na freguesia.

Que freguesia do Campo deixa ao próximo executivo?
Acho que deixo uma freguesia reconhecida. Nem todos podem simpatizar muito com o presidente da junta e há sempre uma ou outra crítica que acham que nós devíamos ir para outro caminho. Mas é o normal. De qualquer forma, eu entendo que a imagem que o Campo tem hoje em nada é parecida com a imagem que tinha há 15 anos. Está muito diferenciada. E acho que há o cunho pessoal de uma equipa que se empenhou para termos uma freguesia que fosse reconhecida como uma freguesia muito dinâmica. As pessoas daqui já conhecem a nossa dinâmica e já estão habituadas a que seja assim, sabem que estamos sempre a preparar qualquer coisa. Às vezes, fica um bocado a ideia de que trabalhamos muito bem na cultura e não fazemos mais nada. Não é verdade. Nós temos, felizmente, feito muita obra. Posso dizer que tenho a freguesia praticamente em todas as localidades em obras, seja em grandes infraestruturas, seja pavimentações. São obras que estão ajustadas com o município. Não podemos oferecer um cartaz cultural muito interessante e depois não termos as condições para as pessoas se fixarem aqui. Nós queremos que seja um conjunto, o mais equilibrado possível. Foi esse caminho que procurei traçar durante estes 12 anos e acho que coloquei o Campo onde eu queria que estivesse.

Que é onde?
Acho que o Campo está num patamar de interesse generalizado no concelho e que é reconhecido por todos. As pessoas sabem que acontecem coisas no Campo e sabem que é fruto de uma gestão diferenciada. Temos sempre muita preocupação com as pequenas intervenções e pequenas obras porque isso é que faz a diferença no dia a dia das pessoas. Um exemplo de apostas que fizemos como é o espaço Jorge Braga da Costa, que é um reconhecimento de um artista que vivia na nossa freguesia. Portanto, há uma panóplia de acontecimentos e de estruturas que ficaram e que vão ficar para sempre. É algo que me leva a concluir que a maioria daquilo que eu me propus, acho consegui realizar. E que deixa a freguesia com o prestígio que eu acho que ela merece.

Maio 26, 2025 . 08:20

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