
Instalação artística assinala 30 anos de baldios de Vouzela
Criada pela associação cultural Binaural Nodar no âmbito da sua participação na rede europeia Tramontana, a instalação audiovisual “A Valorização dos Baldios de Rebordinho e Malhadouro” pode ser vista no Lafões Cult Lab, em Vouzela.
Segundo a Binaural Nodar, às recolhas realizadas no verão de 2024 juntaram-se os testemunhos de antigos e atuais dirigentes, fundadores, população local e personalidades ligadas à temática dos baldios. Os baldios são terrenos em regime de propriedade comunitária cuja origem remonta a povos anteriores à constituição da nação.
Em Rebordinho, na freguesia de Campia, os primeiros movimentos para a constituição dos compartes verificaram-se em 1978, tendo sido a concretização em março de 1994.
A Direção-geral das Artes considerou que, pelo papel “na subsistência das comunidades rurais, a sua importância ao longo da história rural do país é inquestionável”, sobretudo no norte e centro de Portugal.
“Muitas vezes, quando os próprios habitantes tentam explicar o que são baldios, usam uma expressão bem curiosa: ‘são terrenos que são de todos e não são de ninguém’”, referiu.
Historicamente, estas eram áreas utilizadas para pastoreio dos gados comunitários das aldeias e recolha de matos e carumas para as suas camas (que na primavera eram usadas para fertilizar terrenos de cultivo).
“Apesar da função original dos baldios ter mudado nas últimas décadas, especialmente após a revolução do 25 de Abril de 1974, as terras comuns permanecem com um vigor que depende de quem as gere, sejam as juntas de freguesia ou os conselhos diretivos dos baldios”, sublinhou. O caso dos Baldios de Rebordinho e Malhadouro é considerado um exemplo “de perseverança e de adaptação às novas realidades”.
“Passadas estas décadas, a comunidade local dos baldios é hoje um projeto dinâmico e atento às possibilidades económicas de gestão da sua área geográfica que possibilitem a obtenção de recursos que são aplicados em obras e ações que contribuam para o bem-estar das populações, incluindo a construção de muros, o alargamento de caminhos, iniciativas de combate à vespa asiática”, frisou.
Neste âmbito, a Binaural Nodar foi convidada a fazer “um trabalho de recolha documental e audiovisual, de organização de uma exposição retrospetiva e de realização de um filme documentário, relativos ao historial dos baldios de Rebordinho e de Malhadouro”.








