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Exposição celebra a cultura de Várzea de Calde, onde a carqueja é rainha

O símbolo emblemático da região é apresentado no próximo domingo, 11 de maio, a par com o arranque da Festa da Carqueja, que celebra a planta com várias atividades pela aldeia viseense.

A aldeia viseense de Várzea de Calde foi palco, durante o mês de abril, de uma residência artística, promovida pela Binaural Nodar, dedicada à carqueja, planta emblemática da região e símbolo da identidade local. A iniciativa “A carqueja no quotidiano de Várzea de Calde” irá ser inaugurada através de uma exposição já este domingo, dia 11 de maio, a par com o arranque da Festa da Carqueja, que contará com um passeio, momentos musicais e outras atividades na aldeia.
Ana Ferreira, Liliana Silva e Luís Costa foram as caras desta residência. Os três artistas desenvolveram o trabalho a partir de um intenso processo de pesquisa de campo e um contacto direto com a comunidade. “A Binaural Nodar concebeu este projeto que, na prática, é uma intervenção artística dos três autores, integrada na Festa da Carqueja”, explicou Luís Costa, acrescentando que “achámos por bem dedicar este mês de abril precisamente ao trabalho de campo e, no meu caso, será uma intervenção audiovisual com elementos plásticos e sonoros ligados à carqueja”.
A carqueja, planta rasteira resistente ao fogo e tradicionalmente usada para fins medicinais, culinários e agrícolas, é ainda hoje lembrada na memória coletiva da aldeia. Antigamente, os habitantes de Várzea de Calde, apelidados de ‘carquejeiros’, recolhiam a planta e transportavam-na até Viseu, onde era usada para aquecer os fornos das padarias.
Chegar às pessoas certas
Liliana Silva, responsável pela componente fotográfica, referiu que o seu trabalho tem uma vertente “mais documental, em que acompanhamos as pessoas e percebemos não só a beleza das serras daqui, mas também os usos que ainda hoje se fazem da carqueja”.
Desde os chás e passando pelas vassouras para limpar fornos ou varrer o chão, a artista procurou captar os detalhes e o contexto da planta nos hábitos locais.
A instalação artística ficará a cargo de Ana Ferreira, que pretende transformar o espaço interior do Museu do Linho de Várzea de Calde com a presença física da planta.
“É trazer o exterior para o interior, onde vai ter partes de pintura e desenho que refletem os usos medicinais, gastronómicos e agrícolas da carqueja, mas com um toque contemporâneo”, adiantou a artista, acrescentando que foi um desafio tornar uma “planta com uma textura forte e que pica bastante em algo delicado”.
Luís Costa, fundadador da Binaural Nodar, convida todos a marcarem presença naquele que vai ser “um evento de um dia inteiro, bem passado, com paisagem, sabedoria tradicional e propostas artísticas e gastronómicas”.
A iniciativa conta com o apoio de várias entidades, das quais o Município de Viseu, a Junta de Freguesia de Calde, o Grupo Etnográfico de Trajes e Cantares de Várzea de Calde, o Instituto Politécnico de Viseu, a Universidade de Aveiro, entre outras.
Os autores não deixaram de agradecer a todos os que ajudaram a tornar o projeto possível, com destaque para Leonel Oliveira, a quem dedicaram um agradecimento especial. “Tem sido um grande ajudante, especialmente na parte da bola e da carqueja. É basicamente quem organiza os momentos”.
Para além de documentar e reinterpretar tradições, a assoicação cultural pretender relações de longo prazo com os territórios onde atua. “Temos dez anos de trabalho aqui e conhecemos as pessoas, por isso há um vínculo que facilita estes processos”.
Sobre a importância destas iniciativas, afirma, de forma vincada, que “as aldeias não são apenas paisagem ou casas de turismo, elas estão cheias de aspetos infinitos como história, memória, fauna, flora, arquitetura e gastronomia”.
A exposição, tal como a planta que lhe dá nome, pretende deixar raízes profundas na memória cultural de Várzea de Calde.

Maio 9, 2025 . 08:54

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