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“Só com uma produção organizada podemos responder aos desafios”

“Eu não gosto de fazer previsões muito negativas, mas na verdade não sabemos como vai ser o futuro e ao ver as coisas a acontecer não sabemos como é que o consumidor norte-americano vai reagir”, afirma o presidente da UDACA, António Mendes

“Ao falar destas taxas estamos a fazer futurologia, mas que a acontecerem vão fazer com que os nossos vinhos cheguem ao consumidor dos EUA entre 20 e 25 por cento mais caros”. Confessando-se uma pessoa otimista, António Mendes, presidente da UDACA, mas também da FENADEGAS, reconhece que o principal mercado dos vinhos europeus são os EUA e por isso “podia ser desastroso”

Adiantando que no caso específico de Portugal, o primeiro mercado é França logo seguido dos EUA que valem aproximadamente 100 milhões de euros, o dirigente reconhece que “será o consumidor americano a ditar as regras”. “Um produto que custe hoje 10 dólares e passe a custar 12,5 dólares, pode ser olhado de uma forma diferente pelos consumidores que o poderão substituir por outros, nomeadamente os vinhos americanos e os importados da América do Sul”, alertou.

Reconhecendo que “os territórios terão de estudar outros mercados, o que irá acarretar muitas dificuldades tendo em conta o grande investimento nos últimos anos nos EUA, nomeadamente pela CVR Dão, António Mendes afirma que “terá de se reinventar o negócio”, sublinhando que “as dificuldades são à escala mundial e não será fácil substituir um mercado de um ano para o outro”.

Quanto aos impactos no setor cooperativo, nomeadamente na UDACA e nas suas cooperativas associadas, o dirigente admite que este “será grande e bastante negativo, podendo obrigar a reinventar todo o negócio”.

“Eu não gosto de fazer previsões muito negativas, mas na verdade não sabemos como vai ser o futuro e ao ver as coisas a acontecer não sabemos como é que o consumidor norte-americano vai reagir”, afirmou.

Quanto às medidas aprovadas pela União Europeia para o setor antes da polémica criada por Trump, António Mendes considera que “estas não são propriamente medidas de apoio mas sim ferramentas que cada Estado Membro pode adaptar às suas necessidades específicas”. Considerando que há medidas, como o apoio ao arranque da vinha que não fará sentido em Portugal que já “é deficitário na produção de vinho”, António Mendes admite que “há medidas que poderão ajudar a minimizar alguns prejuízos e alguns eventuais erros que se cometeram ou estratégias que terão de ser corrigidas”.

Quando o questionamos sobre a melhor estratégia para a região do Dão, o presidente da UDACA defende a necessidade de se “manter a qualidade de excelência que já existe nos vinhos e assumir uma postura agressiva na parte comercial para escoar a totalidade dos vinhos DOC”.

“Eu entendo que a médio prazo a região vai ter uma transformação bastante significativa na produção. Acredito que haverá muitas vinhas que, naturalmente, irão desaparecer e outras novas surgirão”, afirmou, sublinhando que se “começa a sentir que há menos viticultores, mas que estes se começam a concentrar criando áreas maiores”, o “que pode vir a revolucionar a produção na região”.

Garantindo que sem uma produção organizada não haverá capacidade de responder aos desafios que aí vêm, o dirigente acredita que “no final tudo irá ficar como está ou sem muitas alterações, pois não há margens para que haja alterações muito profundas”, concluiu.|

Abril 21, 2025 . 11:06

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