
“O Meta Magic pode vir a ser, a curto prazo, uma referência nacional do ilusionismo”
A plataforma Meta Magic vai promover, uma vez por mês, espetáculos de ilusionismo no Carmo 81, uma iniciativa que servirá de antecâmara à segunda edição da Mostra Meta Magic, no final de janeiro de 2026. O primeiro terá lugar na próxima sexta-feira, às 21h30, com o espetáculo “Inexplicável”, de Daniel Prado, artista multidisciplinar que irá representar, em julho, Portugal no Campeonato Mundial de Ilusionismo, a realizar em Turim, na Itália.
Seguir-se-ão os Quase Quatro, a 30 de maio, e José Cambra, a 20 de junho. Após o interregno em julho e agosto, atuam até ao final do ano Zé Mágico, a 12 de setembro, Leandro Morgado, a 31 de outubro, Francisco Mousinho, a 14 de novembro, e André Nage, em dezembro, em data a anunciar. Encerra esta mostra o ilusionista José Marques, a 9 de janeiro.
“Havia um conjunto de artistas e ilusionistas que queriam apresentar o seu espetáculo e havendo condições para os convidar a virem a Viseu, avançámos com a mostra, na medida em que a plataforma Meta Magic tenta fidelizar e formar um público na cidade para as novas tendências do ilusionismo moderno e para esta nova corrente artística”, começou por referir Zé Mágico, diretor artístico do projeto.
Aludindo à falta de oportunidades e de palcos para os ilusionistas em Portugal, enfatizou que esta mostra visa colocar esses profissionais debaixo dos holofotes.
“Queremos mostrar que há muitos ilusionistas no país, de cá e de outros países, que não têm palco e com esta mostra vamos dar-lhes palco. Arranjei as condições, disse-lhes que a bilheteira reverteria totalmente para eles e que não teriam de pagar nada, porque eu trato da divulgação e promoção do evento. Todos disseram logo que sim e inclusivamente havia muitos mais interessados. No fundo, esta é uma mostra de um ilusionista por mês a um preço super acessível, estamos a falar de espetáculos de 60 minutos com alguns dos melhores profissionais que temos atualmente”, adiantou.
O primeiro espetáculo, “Inexplicável”, é apresentado por Daniel Prado. “Ele é um ótimo contador de histórias, esteve recentemente no programa televisivo “Got Talent Portugal”, onde chegou bastante longe, é um mágico premiado mundialmente e vai competir no campeonato mundial que acontece em julho deste ano, em Itália. Curiosamente, apesar de ser brasileiro, que veio viver para o nosso país, vai representar Portugal, para sorte nossa, porque ele é realmente muito bom”, sustentou.
À escolha dos ilusionistas desta mostra presidiram dois fatores preponderantes: diversidade e qualidade.
“Queria trazer a maior diversidade possível, dentro das qualidades de cada um, e, acima de tudo, algo que prezo, que é a qualidade. Todos os ilusionistas, à exceção de um, são profissionais, que fazem isto a tempo inteiro. Há uns ilusionistas que são mais comerciais, mas não foi uma imposição. Todos eles têm uma coisa que é diferente, que não tem a ver com o estilo, um factor distintivo, são bons, tecnicamente são bons profissionais e eu sei que não vou correr o risco de sentir vergonha alheia (risos)”, asseverou.
O caminho para a afirmação nacional do Meta Magic
Instado a analisar o setor do ilusionismo no nosso país, Zé Mágico admitiu que “Viseu, em relação ao resto do país, é uma cidade privilegiada”, na medida em que, este ano, irá apresentar, em nome próprio, “mais espetáculos de ilusionismo do que aqueles que acontecem no país. Contam-se pelos dedos da mão os espetáculos que se realizam em Lisboa ou Porto, onde existem associações como a Magic Valongo, o Clube Ilusionista Fenianos ou ainda a Associação Portuguesa de Ilusionismo. Depois, também reparamos que as caras são quase sempre as mesmas, o Luís de Matos, o Mário Daniel, que são aqueles que têm mais dimensão”, salientou.
Estabelecendo uma comparação entre espetáculos de magia com os de teatro ou música, entende que o ilusionismo “até é esquecido”, mas consegue contrapor essa conclusão com tudo aquilo que já conquistou em Viseu nos últimos anos.
“A primeira edição do Meta Magic demonstrou que, em função das minhas presenças habituais em galas municipais e de empresas, se conseguiu criar um público. Foram três dias esgotados, com cem pessoas por noite e um feedback muito positivo, o que para uma primeira edição é bastante agradável. Neste momento, numa hipotética escada de desenvolvimento, projeção e notoriedade, o Meta Magic está no segundo degrau, vamos para a segunda edição, mas em termos de importância de projeção do evento sinto que, num espaço de pouco tempo, o Meta Magic pode vir a ser uma referência nacional”, reconheceu.
No sentido de cimentar ainda mais essa posição, Zé Mágico anunciou que tem como objetivo trazer o Congresso Nacional de Ilusionismo para Viseu, integrado no Meta Magic, para “conseguir atrair ilusionistas de toda a Europa a virem competir neste mesmo formato, que é o congresso, que vai estar por dentro do Meta Magic, que vai existir na mesma, mas vai albergar o congresso nacional com conferências, concursos, espetáculos. Neste momento, estou a trabalhar para que isso seja possível”.
Ilusionistas consagrados atuam no Carmo 81
Zé Mágico destacou que o seu espetáculo nesta mostra vai ser sem palavras, com ambientes sonoros e apenas uma câmara a gravar de cima. Atrás de si, terá um quadro onde o público poderá ver uma dança entre as suas mãos e um baralho de cartas. “Procuro oferecer uma experiência um pouco distinta de contemplação para alguém que se senta e vai olhar para um quadro como se estivesse a contemplar uma obra da arte em movimento”, afirmou.
Do leque dos ilusionistas, destaca Leandro Morgado, que “já atuou em Hollywood, no Magic Castle”, Daniel Prado, que “atua no mundo todo em congressos de magia”, Francisco Mousinho, “que vai estar no The Fringe Festival, em Edimburgo, na Escócia, em agosto, a estrear o seu espetáculo, em inglês, e virá depois apresentá-lo aqui”, Leandro Morgado, que irá aproveitar para gravar o seu espetáculo, e José Marques.
“Haverá muitas surpresas e espetáculos distintos, porque são todos nomes de referência mundial. Este projeto tem como característica formar o público, exatamente para alavancar a ideia do mágico enquanto artista. Temos recebido contactos de ilusionistas que querem vir a Portugal apresentar o seu trabalho e isso atesta o trabalho que estamos a fazer e a referência que já somos tanto no país como no estrangeiro”, concluiu.








