
“Somos uma freguesia com um grande potencial de crescimento”
O que é que a levou a candidatar-se à Junta de Freguesia de Mundão?
Foi um processo muito moroso. Houve vários encontros ao longo de diversos meses. Disseram-me ‘tens perfil’, ‘és dinâmica’. Mas eu disse que não, porque não sou política, não gosto de política, não sei estar na política. Cheguei a fazer parte da lista de Armando Gomes, mas sempre nos últimos lugares, apenas para completar a lista. Nunca esteve nos meus horizontes. No entanto, alguém me disse para ver isto como um projeto. E foi exatamente essa reflexão que eu fiz. A partir do momento que disse que sim, comecei a formar a minha candidatura, a selecionar as pessoas que eu considerava que podiam ser úteis para a freguesia, seguindo este projeto e esta linha de pensamento que eu tinha. Sou do tempo do padre Fernando Correia Marques [pároco de Mundão entre 1977 e 2007 e uma figura incontornável na comunidade]. Trabalhei muito de perto com ele, que tinha o espírito da solidariedade, do fazer ao outro e de desenvolver projetos, entre os quais, a construção de um lar. E foi essa grande bandeira que esteve sempre na minha cabeça. ‘Eu vou para construir ou ajudar a construir o lar’, entre outras coisas, porque a nossa população precisa. Entretanto, comecei a procurar as pessoas. A pessoa que me disse para ver isto como um projeto é o nosso tesoureiro e para secretário fui buscar um educador de infância que é do bairro. E estamos aqui. Não é um projeto fácil, porque gerir pessoas nunca é fácil. E o papel do presidente de junta hoje é muito mais que alcatrão. É muita proximidade.
A construção do lar é um dos projetos para este mandato. Quais são os outros?
Quatro anos é muito pouco para se desenvolver seja o que for. Daqui a pouco estamos a terminar o primeiro ano e temos feito coisas pequeninas, mas que mudaram muito na vida das pessoas. Coisinhas pequeninas que são fáceis de resolver. Tudo o que depende só de nós, é feito de imediato. O SMAS também têm sido impecáveis e as equipas vêm logo assim que acontece alguma coisa. Estamos a falar de fugas de água, tampas do saneamento. Há pessoas que acham que há muito dinheiro e que podem fazer obras importantes, no entanto, nós não podemos gastar tudo e hipotecar o futuro da freguesia. Se, por exemplo, requalificar totalmente uma estrada que envolva também o saneamento ficaria com a conta a zeros, mas nós precisamos desse dinheiro que temos para até incentivar futuros candidatos a virem, porque têm aqui uma almofada financeira para dar continuidade ao projeto. Portanto, não se pode andar aqui a gastar como as pessoas acham que podemos. Como também não queremos vencer património da freguesia. Em todos os projetos ou propostas que nos vão chegando, aceitamos o arrendamento a longo prazo, mas vender só se for para habitação, em locais muito específicos.
"Tudo o que depende só de nós, é feito de imediato"
A comunidade entende essa opção?
Por vezes, temos dificuldades em dar a entender às pessoas essa indisponibilidade imediata para ajudar. Tem sido difícil as pessoas entenderem que, de facto, isto não pode ser assim de mãos abertas. Vamos ajudando dentro das limitações impostas. Já ajudamos a resolver aqui algumas situações, nomeadamente do Grupo Desportivo que tinha aqui a sua sede, num pequeníssimo espaço. Falámos com a Associação do Futebol e eles disponibilizaram um espaço na Academia, localizada na freguesia. Estamos também a ajudar o Rancho Folclórico, que tem o seu espólio nas nossas instalações, num espaço demasiado pequeno. Queremos que tenham um espaço com a dignidade que a história e a tradição do rancho exige.
Quais são os outros projetos?
Queremos reabilitar o Parque Desportivo, porque já tem muitos anos. Temos ainda os polidesportivos da Falorca, do Catavejo e do Casal, dois deles até são da responsabilidade da Câmara de Viseu, estamos neste momento a negociar a reabilitação de um deles, porque tem condições pouco recomendáveis de segurança. Temos algumas ruas que precisam ainda de saneamento básico. Além do lar, queríamos muito que Mundão recebesse umas piscinas, porque sabemos que em Viseu está tudo cheio. Só temos duas opções, neste momento, o Palácio do Gelo Shopping e o Fontelo. Também gostaríamos de ter aqui a habitação a preço mais acessível, para os nossos jovens se fixarem. Vamos ver se conseguimos. Depois temos projetos mais pequenos. Alguns parques infantis, um parque multigeracional. Temos ali o nosso Rossio, que é o Largo das Árvores, que vamos também requalificar. Vamos reabilitar o cemitério, aproveitando melhor o espaço. Temos que repensar a forma de ocupar o cemitério. O projeto do cemitério vai ser desenvolvido em duas fases e a fase de cima vai começar brevemente. Temos ainda a questão da Estrada Nacional 229. O pavimento está completamente degradado. Sabendo que o Município de Viseu está a preparar o projeto de melhoria e de requalificação, marcámos uma reunião com os técnicos para sugerir algumas coisas, entre as quais, um corredor verde até à cidade. Seria uma mais-valia para todos. Porque as pessoas aqui fazem muitas caminhadas, mas depois temos a estrada que não deixa. Além disso, temos dois sítios, onde a segurança das pessoas está posta em causa. Um dos locais é a saída do bairro da Fraga e o outro é a saída do Catavejo e de Britamontes. Almejamos umas melhorias bastante significativas no troço que vem da ponte do antigo IP5 até Cavernães.
"Almejamos umas melhorias bastante significativas no troço que vem da ponte do antigo IP5 até Cavernães"
No que diz respeito a projetos, defende que há dois elefantes brancos na freguesia.
Sim. O parque industrial e o Planalto Beirão. O parque industrial foi cedido pela junta de freguesia à câmara municipal, há muitos anos, com o objetivo de atrair empresas e, dessa forma, criar postos de trabalho. Nada disso se veio a concretizar. A Habidecor é capaz de ser a única que tem um número considerável de trabalhadores da freguesia. A câmara quer agora devolver o parque à junta de freguesia para a manutenção dos espaços verdes, ruas e limpeza. E eu recuso-me a aceitar. Limpei uma vez, por respeito a quem lá está. Mas não vou lá mais. Aquilo está degradado e feio. Quanto ao Planalto Beirão, Há a lixeira e o centro de reciclagem. Estão a ocupar mais terreno do que o que ficou acordado. Já mostraram disponibilidade para negociar, mas eu não vendo a alma ao diabo. A minha freguesia exige respeito. Os municípios pagam ao Planalto Beirão o tratamento dos resíduos. Sendo assim, os concelhos aqui à volta não podem pagar à freguesia de Mundão que o está a receber? Portanto, temos aqui dois assuntos para resolver. Há coisas que serão mais fáceis de resolver. Por exemplo, no nosso salão, onde há aulas de ginástica, também estava estacionado o trator. Isso resolve-se.
E estava à espera destas dores de cabeça, quando aceitou?
Claro que estava à espera de dores de cabeça. Estou numa escola em que eu tenho dores de cabeça todos os dias. Mas aqui é um bocadinho diferente. Há muita rivalidade entre as localidades. O Bairro do Catavejo e o Bairro da Falorca têm mais gente que o resto da freguesia. E depois ainda há esta rivalidade dos “de lá e dos de cá” nos mais antigos, que é Casal de Mundão, Britamontes e Mundão. Os habitantes das diversas localidades não estão unidos. Uns não vão às atividades dos outros. Temos feito algumas iniciativa para fomentar a união, mas não está a ser fácil.







