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A Governação, a Comunicação Social e o Futuro

Maio 20, 2026 . 22:00
Há anos que insisto em afirmar através da escrita que os principais problemas que os portugueses enfrentam, como a pobreza, o fraco crescimento económico, os péssimos serviços públicos e o modelo económico errado, resultam da má qualidade dos partidos políticos e do modelo não democrático da governação.

Modelo não democrático que resulta de os deputados serem homens e mulheres escolhidos pelas direcções partidárias e não pelos cidadãos eleitores, deputados que ao longo dos anos se habitaram a defender os interesses dos seus partidos e não o progresso e o desenvolvimento do País.

A este problema da má qualidade da governação acrescento a deficiente qualidade de uma parte importante da comunicação social, jornais e televisões, apesar de também existirem, principalmente nos jornais, intervenções de grande qualidade de pessoas como António Barreto, Miguel Monjardino, João Miguel Tavares e Pedro Norton.

Mas são as televisões que dominam o acesso dos portugueses à informação e aí é impressionante a má qualidade da maioria dos comentadores dos diferentes canais, porta vezes reciclados de alguns meios de comunicação internacionais, informação geralmente mal gerida e muito influenciada pelas ideologias partidárias. Claro que há também na televisão comentadores sérios e competentes.

Na televisão é ainda impressionante o tempo dedicado ao futebol, isto é, as diferentes televisões e os meios de comunicação em geral servem para aprofundar a ignorância existente em grande parte da população portuguesa e contribuem muito pouco para chamarem a atenção dos portugueses, com algum sentido pedagógico, para os verdadeiros problemas nacionais e menos ainda para anteciparem o debate de alguma solução.

Por exemplo: ninguém fala das duas grandes fases de sucesso da economia portuguesa, - a adesão à EFTA e a AutoEuropa/Pedip – nem das razões do crescimento económico resultante.

Também ninguém trata os erros do modelo económico criado por sucessivos governos, baseado em muitas centenas de milhares de pequenas empresas comerciais que não crescem, não exportam e sobrevivem sob o excesso de concorrência, os baixos salários e a fraca produtividade.

Ninguém fala, ou decide, sobre o excessivo número de iniciativas empresariais em alguns novos sectores, como no turismo, desde o excesso de novos hotéis e restaurantes, ao excesso de Tuck Tuk, s, ou de trabalhadores nos sectores do imobiliário e no transporte de comida a casa das pessoas. Como ninguém pensa, ou menos ainda prevê, nas consequências da próxima crise do turismo, nem nos milhares e milhões de euros investidos.

Igualmente ninguém fala da ausência de investimento na indústria, nem da falta de exportações, agora em crise com menos de 50% sobre o PIB, quando todos os países europeus da nossa dimensão e com pequenos mercados internos exportam entre 70% e os 105% da Irlanda.

Sendo que é a falta de empregos na indústria que faz com que milhões de trabalhadores sem outras soluções invistam, com pouco dinheiro ou a crédito, nas pequenas empresas comerciais que referi antes, razão por que todos os anos nascem e morrem cerca de 70.000 dessas empresas, uma autêntica máquina de produzir asneira económica.

Como ninguém fala nos meios de comunicação da enorme asneira em marcha na ferrovia de bitola ibérica, ou da recusa do investimento europeu disponível, preferindo o ministro as famosas parcerias público/privadas a pagar pelos portugueses em trinta anos e destinadas a favorecer as encomendas a entregar à Mota Engil, o que justifica o ataque em curso, pelas boas e más razões, ao Tribunal de Contas.

Em resumo, as generalidades dos meios de comunicação nacionais vivem numa bolha de ideologias partidárias, sem nenhuma capacidade para olhar, debater ou antecipar o futuro. Algo que há mais de trinta anos aprendi ao escrever aquilo a que então chamei “Crónicas do Futuro”, textos que ainda mantenho disponíveis para quem os quiser ler.

Maio 20, 2026 . 22:00

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