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Associação critica gestão da greve às horas extra no INEM no final de 2024

Na comissão parlamentar de inquérito ao Instituto Nacional de Emergência Médica para apurar responsabilidades, Paulo Paço disse que o Ministério da Saúde tomou decisões inadequadas

O presidente da Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) criticou a forma como a tutela e o INEM geriram a greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar no final de 2024.

Na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019, Paulo Paço disse que o Ministério da Saúde tomou decisões inadequadas.

“Houve aqui algumas decisões que foram tomadas (…) que a nós parece-nos que não foram as mais corretas”, afirmou, referindo se às opções adotadas pelo Ministério da Saúde e pela direção do INEM no período de paralisação, durante o qual ocorreram 12 mortes, das quais três foram associadas ao atraso no socorro, de acordo com a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

De acordo com o responsável, o impacto da greve surpreendeu as autoridades.

“A ideia que nos transmitiram é que ninguém esperava que a greve tivesse o impacto que teve e que aparecessem tão poucos técnicos para trabalhar”, declarou.

O presidente da ANTEM sublinhou ainda que a paralisação tinha um âmbito muito limitado.

“Recordo que esta greve era apenas única e exclusivamente às horas extraordinárias”, frisou, defendendo que a reação institucional demonstrou falta de preparação e de leitura da realidade operacional.

Paulo Paço criticou ainda a atuação do antigo presidente do INEM Sérgio Dias de Janeiro, lembrando que tinha pedido a sua demissão, acusando-o de não cumprir o compromisso de diálogo assumido com a associação.

Segundo o responsável, a falta de diálogo e de coordenação contribuiu para decisões desajustadas e para a persistência de problemas estruturais no pré-hospitalar.

A CPI ao INEM cumpre hoje o terceiro dia de audições, com o depoimento presencial do presidente da ANTEM e a inquirição, por videoconferência, do líder da Sociedade Portuguesa de Emergência Pré Hospitalar (SPEPH), Carlos Silva, após uma semana de interrupção dos trabalhos devido às eleições presidenciais.

O trabalho da CPI envolve cerca de 90 entidades e personalidades convidadas, muitas das quais apresentarão contributos por escrito.

A CPI foi aprovada em julho de 2025 por proposta da Iniciativa Liberal. É composta por 24 deputados e tem 90 dias para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM.

Janeiro 22, 2026 . 08:15

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