
Multinacional em Oliveira de Frades ‘atira’ mais de 100 trabalhadores para o desemprego
A Siemens Gamesa anunciou o despedimento de mais de uma centena de trabalhadores e o encerramento da sua unidade de produção e manutenção de pás para eólicas em Oliveira de Frades. A decisão, comunicada esta segunda-feira aos funcionários durante uma reunião geral, apanhou de surpresa os trabalhadores, o sindicato e a própria Câmara Municipal, que afirmam não terem sido informados previamente da intenção da empresa.
A fábrica, que abriu há menos de cinco anos, era responsável pela manutenção e requalificação de pás para torres eólicas e empregava mais de cem pessoas. Nas instalações permanecem, para já, apenas elementos ligados à manutenção e administração, mas sem perspetiva de futuro.

A Siemens Gamesa justificou a decisão com “a falta de encomendas para torres eólicas”, assegurando estar empenhada em “minimizar o impacto destas decisões nos seus funcionários”. Segundo informação transmitida pela empresa ao Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, e confirmada pelo Diário de Viseu, “aproximadamente metade dos funcionários de Oliveira de Frades receberá uma oferta de transferência dentro da Siemens Gamesa”. Contudo, em Portugal, a multinacional mantém apenas a unidade no Porto, uma vez que em Vagos, no distrito de Aveiro, também ocorreu um despedimento coletivo no início do ano.
Em janeiro, a multinacional já tinha despedido 222 trabalhadores nessa unidade, alegando a necessidade de “ajustar a capacidade” da fábrica após uma interrupção nas vendas provocada por “problemas técnicos” em dois dos produtos. Nessa altura, a empresa afirmava estar a “implementar medidas de reestruturação abrangentes com o objetivo de regressar à rentabilidade”.
O presidente da Câmara Municipal de Oliveira de Frades, João Valério, confirmou ao Diário de Viseu que “a Siemens Gamesa vai desativar esta unidade até ao final do primeiro trimestre do próximo ano”. O autarca manifestou desagrado “pela forma de procedimento da empresa, uma vez que só comunicaram esta intenção de despedimento coletivo já após o ato estar consumado”.
Sem tempo para preparar uma resposta imediata, a autarquia está agora a “articular, através do gabinete de inserção profissional, com o IEFP e com o gabinete de ação social, procurando também, junto de empresários locais, soluções para integrar alguns dos funcionários afetados”.
Empresa garante transferência de meia centena de trabalhadores. Contudo, em Portugal, a multinacional mantém apenas a unidade no Porto, uma vez que em Vagos, no distrito de Aveiro, também ocorreu um despedimento coletivo no início do ano
Para João Valério, o encerramento da unidade representa uma “perda económica para o concelho” e um desafio social imediato. Apesar da principal preocupação do município ser a “situação social dos trabalhadores”, o autarca sublinha que Oliveira de Frades “tem uma zona industrial forte”, e que o foco “será continuar a atrair novos investimentos para mitigar os danos deste encerramento”.
Também contactado pelo nosso jornal, Telmo Reis, dirigente do sindicato, criticou a falta de comunicação da empresa, salientando que “foram os próprios trabalhadores a estabelecer o contacto”. A empresa garantiu ao mesmo que “vai tentar arranjar emprego para metade dos trabalhadores, mas não há nada que assegure que isso vá realmente acontecer”. “Em Vagos, prometeram o mesmo e não se concretizou”, acrescenta.
Apesar das tentativas de contacto, a Siemens Gamesa não facultou qualquer resposta adicional ao Diário de Viseu sobre as reais causas do encerramento nem sobre o futuro dos trabalhadores.







