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“Barrelas Summer Fest tem uma qualidade musical que poucos têm em Portugal”

Em entrevista ao Diário de Viseu, Paulo Marques, presidente do Município de Vila Nova de Paiva, desvenda a segunda edição do festival, que decorre sexta-feira e sábado, garantindo que o alargamento para dois dias levará muito maior movimentação e animação ao concelho

A responsabilidade aumenta com um cartaz de dois dias na 2.ª edição do festival?
Esperemos que, como são dois dias, em relação ao ano passado, seja tudo a dobrar: a afluência, a animação, as emoções, as pessoas a visitar o nosso concelho e a ficarem cá de um dia para o outro. Podem ficar no nosso parque de campismo, que é gratuito, até porque todos os nossos alojamentos locais estão praticamente lotados. A aposta nos dois dias é isto mesmo, é tornar o festival maior em todos os aspectos. Não só pelos artistas de excelência que irão estar presentes, mas também pelo que ganha a vila e o concelho, com mais um dia de animação, mais gente nas nossas ruas, mais pessoas a consumir no nosso comércio e restaurantes e a dar vida ao concelho.

 

O que destaca do cartaz?
O cartaz está muito homogéneo, com grande qualidade. Obviamente que as grandes referências são os Ornatos Violeta e os britânicos Skunk Anansie. Os primeiros são provavelmente a banda mais icónica do nosso país, ao lado dos Xutos & Pontapés. A eles, juntamos o Gabriel o Pensador e teremos certamente uma noite absolutamente fantástica, ainda com os Capitão Fausto. No segundo dia, teremos os Skunk Anansie, os Hybrid Theory e o Richie Campbell. Isto além de todos os outros que subirão ao palco para animar o público, co­mo os Kumpania Algazarra, o Morais, uma panóplia de artistas que faz com que este cartaz tenha uma qualidade que poucos têm neste país. Se calhar não me fica muito bem dizer isto, mas se o compararmos com outros festivais, não fica atrás deles.

 

Qual é a estimativa em termos de afluência ao festival?
Nos dois dias, gostaria de ver aqui no Estádio Municipal de Pedralva 20 mil pessoas, 10 mil em cada dia. Obviamente, isso será difícil de acontecer, mas temos de ser otimistas. Será nesta última semana que vamos conseguir perceber a afluência que teremos, porque no ano passado cerca de 60% dos bilhetes foram vendidos na última semana. Já temos a nossa bancada cheia para o dia 30, por isso as perspetivas são sempre as melhores.

 

Receia que, caso não seja re­eleito em outubro, o festival fique apenas com duas edições?
Essa é uma ideia que não me passa pela cabeça, porque a ideia é vencer as eleições, por tudo o que temos feito nestes quatro anos. Mas não tenho a mínima dúvida de que no dia em que eu perdesse as eleições este festival cairia, porque há quem pense no nosso concelho e quer que ele cresça e se torne maior, e há quem pense pequenino, mas isso vai de cada um. Na reunião de câmara, no ano passado, a oposição votou contra a realização do festival e isso é demonstrativo daquilo que eles querem para o concelho, querem manter-se pequeninos e fechados. Mas nós queremos abrir Vila Nova de Paiva ao mundo, portanto são visões completamente diferentes e essas mesmas visões estarão em disputa em outubro.

 

A sua visão e ambição maior é colocar definitivamente Vila Nova de Paiva no mapa?
Este é um evento que nos pode colocar no mapa nacional dos festivais e com isso trazer muito mais valias para o nosso concelho a médio e a longo prazo. É algo sustentado, bem pensado, com um objetivo claro de tornar este festival e Vila Nova de Paiva um ícone para a música portuguesa. Quando olho para Paredes de Coura e Vilar de Mouros, gostaria que, um dia, o nosso Barrelas Summer Fest chegasse a esse estatuto, mas obviamente que isso pode demorar anos a alcançar e há sempre dores de crescimento. É uma estratégia, uma de várias, para trazer gente ao território, porque não basta dizer que se quer, é preciso fazer coisas específicas e objetivas para que tal suceda. Por exemplo, no inverno, fizemos as visitas noturnas ao nosso Parque Botânico, que nos trouxe alguns milhares de visitantes, até gente do concelho que nunca lá tinha ido. É uma política integrada e este festival é uma parte dela, não é uma ambição desmedida da minha parte. Mas ainda continua a haver muita tacanhez do outro lado, admito, essa é que é a diferença, é o pensar pequenino num concelho que não tem de ser pequenino.

 

No Barrelas, começa a criar-se um padrão de qualidade, com bandas reputadas e nomes internacionais. É também por essa via que o festival se quer evidenciar?
Repare, seria fácil encher o estádio com os Calema num dia e o Nininho Vaz Maia no outro, seria um sucesso brutal, mas isso não seria um festival, seria uma festa popular, não desfazendo de nenhum dos dois nomes citados, mas isso acontece nas festas e feiras em todo o lado. Acredito que tem de haver um traço distintivo na música e na qualidade musical e até na presença de um artista internacional de peso, para marcar posição na lista dos festivais nacionais. Temos de ser diferentes, porque não queremos fazer igual, queremos ter um no­me, identidade e estilo próprios, seguindo uma linha de coerência em termos musicais, porque só assim criaremos a identidade de um festival de música, porque se misturarmos muita coisa, somos tudo e não somos nada.

 

Este ano, a atestar a qualida­de do festival, hou­ve um apoio monetário por parte do Turismo de Portugal. Entende que esta verba também dá escala ao evento?
Dá, acima de tudo, mais reconhecimento, porque dá para perceber que nós não andámos aqui a brincar e que este não é um projeto de um homem só ou uma teimosia de alguém. O Turismo de Portugal observou a nos­sa candidatura e percebeu que este é um festival que tem pernas para andar e decidiu apostar aqui. Isso deixa-nos muito satisfeitos, bem como outras colaborações que nos dão a prova de que de facto estamos a percorrer um bom caminho. Temos o Crédito Agrícola connosco, um parceiro muito importante. Outro exemplo, no ano passado falámos com a mar­ca Licor Beirão e mal nos responderam e este ano já vão ser nossos parceiros, já a projetar parcerias a médio e longo prazo.

 

Há maior atratividade do festival este ano?
Há, sem dúvida, as próprias empresas e marcas já começam a reconhecer isso, e, lá está, este ainda é só o segundo ano do evento. Estes são três exemplos do que aconteceu do ano passado para este ano e que nos dão a força para continuar porque sentimos que estamos no bom caminho, porque o festival precisa de histórico e nós estamos a criar esse histórico, e a fazer história, ao mesmo tempo.

 

Entende que este tipo de reconhecimento também se verifica a nível local?
Não tanto como nós queríamos, mas a maioria dos comerciantes estará este ano devidamente preparada, no ano passado não acreditavam tanto neste projeto co­mo acreditam este ano, mas no próximo fim de semana estarão preparados para fazerem muito negócio à volta do Barrelas Summer Fest. E é isso que nós queremos, gente em todo o lado duran­te esses dias.

 

Serão três dias de grande movimentação na vila e arre­dores. Os setores hoteleiros e da restauração estão preparados?
Temos todos os alojamentos locais lotados, a residencial e o hotel cheios. O público vai certamente espalhar-se por outros concelhos, que também vão ganhar com este festival, e temos o nosso acampamento gratuito, que albergará cerca de 500 pessoas.

 

A terceira edição do festival já está na calha? Que nomes podemos esperar para o ano?
Está na calha na minha cabeça, mas primeiro preciso que as pessoas votem em mim (risos), porque se não for eleito não haverá certamente a terceira edição. O que nós sentimos da parte da nossa oposição, que sempre se opôs a este festival, é que este estará em risco se não for reeleito em outubro. Em relação aos nomes, isso depende muito de vários fatores, vai depender das digressões das bandas internacionais no próximo ano. Sabemos que os temos de contactar cedo, mas vamos ter eleições em outubro e só a partir do meio desse mês é que nos vamos debruçar sobre o assunto, mas temos já umas ideias do que queremos fazer. Para o ano, serão novamente dois dias, não vamos alargar o festival, porque temos de saber crescer e os passos têm de ser dados com firmeza.

Agosto 26, 2025 . 17:25

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