
Dia dos Viriatos exalta regimento “cuja fama ninguém virá que dome” (galeria)
“Este dia, oficialmente, comemora a vinda do regimento para este quartel, mas na realidade é um encontro das várias gerações de Viriatos, de todos os militares que prestaram serviço neste regimento. Esta é a minha primeira vez como comandante a assistir e a participar neste dia e é uma honra receber todos aqueles que cá prestaram serviço”. As palavras são do comandante do RI (Regimento de Infantaria) 14, coronel João Barros, que tomou posse no final de dezembro, e atestam bem o significado deste dia, assinalado no sábado, para militares, ex-militares daquela casa.
Em entrevista exclusiva ao Diário de Viseu, destacou “o orgulho enorme em comandar este regimento, pela equipa que comando, pela sua história e a parte da história que é representada aqui hoje com todas as gerações aqui presentes”.
O comandante destacou, do programa, a homenagem aos mortos em combate, “uma forma de honrarmos a história específica deste regimento mas também o esforço nacional nas várias batalhas que ao longo da nossa extensa história foram travadas”, e o lançamento do livro “Viriato meu Herói”, da autoria de Carlos Almeida.
Questionado sobre o impacto do dia, considerou que “é difícil dissociar Viseu da sua presença militar, permanente em quartel ou ao longo da história nacional. Estamos muito bem inseridos nesta comunidade, temos uma relação excelente com as diversas instituições oficiais e com a população, tentamos também fazer a nossa cota parte no apoio que prestamos à comunidade, que também se insere na nossa atividade diária”.
O “Dia dos Viriatos” teve início com a receção das entidades, ex-militares e familiares. Seguiu-se a missa campal e a cerimónia de homenagem aos mortos em combate. Antes do almoço de confraternização, abrilhantado pela Viriatuna, foi apresentado o referido livro.
“Uma marca para a vida que nos une a todos”
O comandante João Barros realçou o peso institucional do dia, em que se celebra também “o orgulho em pertencer ou ter pertencido a esta unidade. Prestar serviço no 14 da Infantaria significa ser Viriato, uma marca para a vida que nos une a todos. É esse o sentimento quando acolhemos todos os Viriatos e as suas famílias para um dia de confraternização e troca de experiências. Hoje, mais do que um aniversário do quartel dos Viriatos e do convívio, queremos também homenagear o nosso patrono e a todos quantos serviram e servem no RI 14. Hoje, transformamos também o nosso quartel num palco de memória, cultura e de inspiração”, enfatizou.
O herói implantado no nosso imaginário comum
Carlos Almeida, autor da obra, confessou-se “fascinado desde criança pelas lendas de Viriato”, uma sedução que se intensificou na escola primária.
“Viriato era o herói acima dos reis, dos príncipes, dos navegadores, dos aventureiros da nossa história, o herói implantado no nosso imaginário comum. Portanto, este livro é um tributo pessoal e singelo a toda uma perspetiva construída desde a minha infância, consolidada pela minha permanência em Viseu”, asseverou.
O autor, que prestou serviço no RI 14 na década de 80, salientou que Viriato “é um símbolo de grande coragem, da união e determinação de todo um povo e da memória coletiva de um povo que reconhece no seu exemplo de bravura a necessária força para resistir e superar as adversidades da vida”.
Durante a apresentação, o tenente coronel Marques de Almeida leu dois dos poemas incluídos na obra de Carlos Almeida, que já publicou 12 livros em prosa e nove em poesia.
No final, o autor, que foi fundador das associações culturais ARCA, de Santa Cruz da Trapa, e GICAV – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, não deixou de agradecer aos três últimos comandantes do RI 14, coronel Moreira, coronel Escorrega e o atual comandante, João Barros, “por terem acreditado neste projeto e por terem ajudado a concretizar esta ideia”.
Para o comandante do RI 14, este livro “não é apenas um tributo ao herói da Lusitânia e do imaginário de qualquer português, mas é também o espelho da alma do nosso regimento, o 14, profundamente enraizado na história, na coragem e nos valores que Viriato representa. O RI 14 tem no seu código genético esta herança única, não apenas pelo nome que ostenta, mas também pela ligação indelével à cidade de Viseu, terra que é um berço de cultura, tradição e identidade nacional. É nesta cidade que a história de Viriato ganha contornos vivos”.
João Barros acrescentou que a obra nasceu do desejo de projetar e partilhar o passado para o futuro, como um reforço da união e respeito pela herança recebida, “para inspirar os que servem hoje e os que virão a servir no futuro o RI 14”.
Na sua opinião, o livro “é um guia de valores, um estímulo para o estudo da nossa história e um tributo duradouro ao 14 da Infantaria, a Viriato, a Viseu e a Portugal, um gesto de homenagem aos que passaram por esta casa, a todos os que partiram para teatros de operações e aos que pedra sobre pedra construíram a reputação de excelência que hoje nos distingue”.
“Enquanto comandante, garanto que todos os dias trabalhamos para que se continue a afirmar do nosso regimento “cuja fama ninguém virá que dome”, concluiu.
A origem do “Dia dos Viriatos”
Em julho de 1951, o Regimento de Infantaria 14 (RI14) muda-se do velho Quartel dos Terceiros, junto ao Rossio de Viseu (onde esteve quase 110 anos), para as atuais instalações (conhecidas como o “Quartel dos Viriatos”), que na altura era uma zona já fora da cidade, junto aos limites de Repeses.
A inauguração do Quartel dos Viriatos é celebrada anualmente com o “Dia dos Viriatos”, concebido como momento de união e convívio entre os que serviram no passado e os que atualmente prestam serviço nesta nobre Unidade do Exército Português, contribuindo assim também para a preservação dos valores, das tradições e do património histórico-cultural dos portugueses.








