
Oito parceiros do Centro lançam bolsa para criadores de projetos de artes para infância
Oito entidades da região Centro deram hoje a conhecer uma bolsa no valor de 27 mil euros para a criação de um espetáculo para um público-alvo entre os 4 e 14 anos ou famílias.
“Quarto Crescente é uma bolsa de criação em artes performativas para a infância para uma prática instituída e regular no quotidiano das crianças na vida cultural e o direito a uma experiência artística”, defendeu o responsável do serviço educativo Alcateia, da Fundação Lapa do Lobo.
Dennis Xavier, autor do projeto, disse ainda que essa experiência artística na infância “deve atender ao seu nível de desenvolvimento cognitivo, à sua sensibilidade, à particularidade de como a criança vê e compreende o Mundo e que saiba acolher as perguntas” que fazem.
O responsável falava hoje na apresentação da primeira edição da bolsa Quarto Crescente, na Fundação Lapa do Lobo, em Nelas, distrito de Viseu, perante as oito entidades que a financiam, assim como a própria fundação - Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT), Centro Cultural de Carregal do Sal, ambas no distrito de Viseu, o Teatrão (Coimbra), Teatro Aveirense (Aveiro), Teatro-Cine de Gouveia (distrito da Guarda) e Teatro Miguel Franco (Leiria).
As candidaturas para esta primeira edição, que será anual, decorrem entre sexta-feira e 31 de dezembro às quais podem concorrer criadores ou coletividades com sede nos distritos de Viseu, Guarda, Aveiro, Coimbra e Leiria, acrescentou Dennis Xavier.
A bolsa, no valor de 27 mil euros, destina-se a criadores emergentes, que sejam maiores de idade e até aos 35 anos, e que tenham até ao máximo de quatro criações artísticas assinadas.
O espetáculo a ser criado terá como destinatários crianças entre os 4 e o 14 anos ou famílias e terá de cumprir a calendarização da bolsa, disponível na internet (quartocrescente.fundacaolapadolobo.pt).
O regulamento, também disponível online, indica as datas a serem cumpridas, assim como as residências artísticas e a digressão de sete espetáculos nos respetivos equipamentos culturais da região Centro.
“Assumimos também o compromisso de acompanhar o projeto vencedor”, sublinhou Dennis Xavier, adiantando que o júri será constituído por um elemento de cada um dos parceiros.
O projeto visa “colocar as crianças em contacto com as artes deve ser uma prioridade de qualquer projeto cultural”.
Uma ideia corroborada por todos e que para a responsável da programação do Teatro Aveirense, Leonor Barata, “não só porque se está a estimular a criação contemporânea” como também acontece “numa área tão delicada como é o teatro ou a arte para a infância e que até há bem pouco tempo era até maltratada”.
“Felizmente, o panorama está a mudar muito. É um trabalho que se aproxima muito da educação e também da formação de uma consciência para o desenvolvimento do pensamento crítico, reflexivo, para o desenvolvimento de uma sensibilidade estética que é muito importante e, sobretudo, do desenvolvimento de uma capacidade de relacionar informação e ir para além do mundo”, acrescentou.
Leonor Barata considerou ainda que esta bolsa é “um investimento que não se vai esgotar num único espetáculo, como acontece com muitas criações”, mas “ajuda a criar uma base para que se possa candidatar a outros projetos financiados e que exigem trabalho” realizado.
Também os outros responsáveis enalteceram a bolsa já que se trata de “um projeto em rede que não foi imposto a ninguém” e “toda a gente está nele por entender que deve estar e por uma afinidade existente” entre os intervenientes, indicou Rui Eufrásio, de Gouveia.
Esta bolsa “poderá impulsionar criadores que depois podem fazer um caminho maior”, ou seja, podem sair da região Centro, salientou José Pires, de Leiria, notando que a cidade tem uma plataforma de criação artística de uma empresa municipal que poderá apoiar o projeto vencedor.
A vice-presidente da Câmara de Carregal do Sal, Isabel Azevedo, assumiu as palavras também como suas até porque, no seu Município, “as atividades extra curriculares (AEC) contemplam as artes”.
“E este projeto traz e vai trazer muito aos nossos territórios”, defendeu Isabel Azevedo.







