
Vereador de Cultura do Porto fala em força policial desproporcionada e injusta
“A causa deste sobressalto cívico é justa e a manifestação pacífica. As exceções (que as há, como sempre houve) devem ser tratadas como tal, não misturando o trigo bom com o joio mau”, escreveu Jorge Sobrado numa publicação na rede social Facebook.
Jorge Sobrado, vereador eleito pelo PS, escreveu que “nenhuma repressão e ação violenta serão sementeira de paz e democracia”, acrescentando: “Dividem-nos. Tal como os aproveitamentos partidários ou o vandalismo”.
O vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, que integra o executivo liderado pelo social-democrata Pedro Duarte, apelou à disponibilidade para “a escuta”, que considera a “primeira tarefa da política em democracia”.
“Renovo o meu apelo a essa disponibilidade. E à natureza pacífica do direito de manifestação. O Porto é, cultural e historicamente, o coração da liberdade em Portugal. E assim quer continuar a ser”, escreveu.
Após Pedro Duarte ter convidado os representantes da acampada do Porto para uma reunião, os manifestantes votaram maioritariamente, na última noite, em assembleia popular, aceitar o convite, sugerindo que o encontro se possa realizar no teatro Rivoli.
Treze manifestantes foram detidos e treze polícias ficaram feridos na intervenção policial nas acampadas da última madrugada em Lisboa e Porto, anunciou o porta-voz da PSP, que justificou a ação da polícia com o aumento da resistência popular.
Praticamente em simultâneo, a partir das 04:30 de hoje, a PSP avançou sobre os manifestantes concentrados nas acampadas em Lisboa e no Porto para que desmobilizassem, retirando tendas e detendo 13 pessoas, tendo-se registado vários feridos, inclusive polícias.
O advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa manifestantes da Acampada de Lisboa, disse hoje que vai avançar com participação criminal contra o ministro da Administração Interna e o diretor nacional da PSP após a carga policial desta madrugada.
“Isto é uma noite negra na história da democracia portuguesa. Isto é absolutamente inultrapassável, intolerável, ultrapassou todos os limites. E, por isso, o ministro e o diretor da polícia podem ter a certeza que terão participações criminais por abuso de poder”, afirmou advogado Ricardo Sá Fernandes.
O Presidente da República, António José Seguro, já conversou hoje de manhã com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e com a provedora de Justiça, Luísa Neto, sobre o que se passou nesta madrugada nas manifestações pela habitação.
Segundo fonte oficial da Presidência da República, o chefe de Estado "solicitou informações e esclarecimentos, com todo o detalhe, sobre o que se viveu esta madrugada nas manifestações em Lisboa e Porto e o que está a passar-se com os manifestantes detidos e com todas as pessoas feridas".
Para hoje estão previstas novas concentrações, em Lisboa e no Porto, a partir das 17h00.







