
Jorge Braz diz em Viseu que dirigentes têm obrigação na educação de comportamentos
O selecionador português de futsal defendeu hoje que os dirigentes desportivos têm a responsabilidade e obrigação na educação de comportamentos menos positivos nas competições, mesmo reconhecendo a dificuldade.
“Nós, dirigentes desportivos, temos obrigação e responsabilidade nos comportamentos. Temos um papel fundamental. Se é fácil? Não, mas temos de ser nós a promover essa educação”, defendeu Jorge Braz.
A título de exemplo, o selecionador nacional de Futsal indicou as “discussões à volta de um momento” de jogo como se é ou não um pontapé de linha lateral ou se o que se ouviu é ou não um insulto.
“Se eu estiver com foco total no jogo não vou desperdiçar tempo, não vou discutir e criar conflito”, argumentou.
Jorge Braz falava em entrevista na quarta edição do S4 - Congresso Internacional Safety, Security, Service at Sports Events (proteção, segurança, e acolhimento em eventos desportivos, tradução livre), que termina hoje em Viseu, organizado pela Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência o Desporto (APCVD).
O selecionador vincou ainda que “os lances de maior agressividade no jogo nunca são pessoais, nunca são contra as pessoas, são jogadas que se fazem para tentar ganhar a bola e vencer”.
“Em mais de 90% desses lances perigosos, o atleta no final vai cumprimentar o adversário e, vê-se muitas vezes, a ajudar a levantar logo a seguir ao lance, porque não é contra a pessoa, é um momento de jogo entre dois adversários”, reforçou.
Jorge Braz disse ainda que não se deixa influenciar pelo público, apesar do “enorme respeito” que tem pela opinião dos adeptos, pois “isso não conta para o ‘totobola’”.
“Como é que focamos no essencial, o jogo, se estamos a ouvir os adeptos, as críticas ou os insultos? Estamos focados, não ouvimos, não nos influenciam, nem reagimos”, disse.
Questionado sobre os comportamentos mais agressivos no público de jogos de camadas mais jovens, e a influência dos pais nas bancadas até, em diversas vezes, a promover a agressividade, Jorge Braz foi perentório: “Terminaria o jogo de imediato”.
“Há uns anos, quando era mais novo, e professor, não teria coragem para isso, mas, hoje, sei e afirmo convictamente, teria coragem de o fazer e terminaria o jogo de imediato e chamaria o pai para conversar”, admitiu.
Jorge Braz realçou ainda que, após uma derrota, e com os atletas a recusarem tirar a fotografia, ele exigiu que a mesma fosse tirada, “e com um sorriso”, ainda que “não tão grande”, até porque “tem impacto” nos atletas, para saírem “do foco da derrota”.







