
Joana Rosa, a primeira mulher a candidatar-se a Presidente, em Cabo Verde
Em 1996, concorreu à presidência da Câmara do Maio, ilha de origem.
“Tornei-me na primeira mulher a candidatar-se a presidente de câmara em Cabo Verde”, escreveu. Não conseguiu ganhar, mas passou depois a liderar a Assembleia Municipal.
A vida de autarca permitiu-lhe “manter uma ligação próxima às comunidades”, disse, mas a família sempre ocupou um papel central na sua vida: primeiro os pais, incluindo o pai emigrante, e depois o marido e os quatro filhos.
Joana Rosa nasceu em Alcatraz, na ilha do Maio, em 27 de abril de 1965 – apesar de nos registos constar 8 de maio de 1965, segundo explicou à Lusa.
“A minha mãe era doméstica e o meu pai agricultor. Cresci a conhecer de perto a realidade de uma pequena ilha e o que significa ter alguém da família longe”, descreveu.
Era uma entre oito irmãos e classificou o pai como “herói”, recordando o seu grande desejo: “era ter os filhos a estudar e a serem diferentes dele, porque era analfabeto. O meu pai sempre criou as melhores condições para os seus filhos”.
Joana Rosa concluiu a licenciatura em Direito no Brasil, à qual juntou diversas especializações, ao mesmo tempo que ia conquistando marcos na carreira política.
Foi deputada pelo Movimento para a Democracia (MpD) – que agora a apoia na corrida presidencial – e ministra da Justiça entre 2021 e junho deste ano, até o poder mudar de mãos.
Após dois mandatos (10 anos) de governação do MpD, o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) voltou a liderar os destinos do país.
É neste contexto que Joana Rosa se apresentou como candidata à Presidência nas eleições de 15 de novembro, defendendo que “o país precisa de um equilibrador do sistema”.
“Não, eu não quero ser avaliada pelo facto de ser mulher, a avaliação deve ser feita pela competência”, referiu à Lusa durante a pré-campanha eleitoral.
A candidata puxou pelo currículo na área da justiça: advogada de profissão, participou na revisão constitucional de 2010 e fez parte da comissão especializada em assuntos constitucionais, direitos humanos, segurança e reforma do Estado.
Enquanto ministra, supervisionou a implementação do sistema digital de processos judiciais.
No seu percurso, foi ainda consultora do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Acredita numa boa relação de cooperação com Portugal – diz que o testemunhou como ministra –, mas considerou que é preciso “fazer mais pela diáspora”.
Fora dos corredores da política, está uma mulher que ainda atende pelo nome de Celina, contou à agência cabo-verdiana Inforpress: era a alcunha de uma amiga da mãe, que quase se tornou o seu nome, não fosse a insistência do pai em dar-lhe o nome da avó paterna, Joana.
As eleições estão marcadas para 15 de novembro e estão recenseados 426.531 eleitores, dos quais 76.898 na diáspora (18% do total), de acordo com os dados mais recentes, relativos a setembro.







