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Democratas preparam investigação a alegada corrupção que envolve Donald Trump

Chuck Schumer defende que o combate à corrupção corresponde a uma exigência expressa pelos eleitores

Os democratas nos Estados Unidos preparam uma investigação sobre alegada corrupção envolvendo o Presidente Donald Trump, a sua família e membros da administração, na sequência da conquista do controlo do Congresso nas eleições de terça-feira.

Os líderes democratas das duas Câmaras de Congresso anunciaram a intenção de usar os poderes de investigação e de convocação de testemunhas para escrutinar os negócios e interesses financeiros do Presidente republicano e das pessoas próximas a si.

Na Câmara de Representantes, o líder democrata Hakeem Jeffries, que deverá assumir a presidência do órgão em janeiro, não excluiu a possibilidade de avançar com um terceiro processo de destituição ('impeachment') contra Trump.

Jeffries encarregou os congressistas Robert Garcia, da Califórnia, e Jamie Raskin, de Maryland, de coordenarem a preparação das investigações parlamentares, procurando estabelecer uma ligação entre a alegada corrupção governamental e o aumento do custo de vida.

O líder da futura maioria democrata identificou cinco prioridades de investigação, incluindo os negócios da família Trump, a atuação da administração no caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein e as operações do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE).

Outros responsáveis democratas querem investigar projetos imobiliários associados ao Presidente, como a construção de um salão de baile na Casa Branca, e o envolvimento da família Trump em negócios relacionados com recursos minerais.

No Senado, o democrata Richard Blumenthal, que deverá presidir à subcomissão permanente de investigações da Comissão de Segurança Interna, anunciou a intenção de examinar os projetos imobiliários de Trump na região de Washington e os seus negócios com criptomoedas.

Entre os assuntos em análise estão as relações financeiras entre o Presidente e o enviado especial Steve Witkoff, seu aliado de longa data e parceiro no empreendimento de criptomoedas World Liberty Financial.

Blumenthal pretende também realizar audições sobre as operações de fiscalização da imigração, a atuação do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) e determinados planos de cobertura médica do Medicare, que considera excessivamente restritivos.

Ron Wyden, futuro presidente da Comissão de Finanças do Senado, anunciou investigações a instituições bancárias que, segundo ele, ignoraram sinais de alerta sobre as operações financeiras de Epstein.

Wyden pretende ainda escrutinar empresas farmacêuticas que terão beneficiado das suas relações com a administração Trump.

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, que deverá regressar à presidência da maioria parlamentar, defendeu que o combate à corrupção corresponde a uma exigência expressa pelos eleitores.

Schumer afirmou: "Nenhum norte-americano deveria ter de fazer escolhas difíceis no supermercado enquanto Trump realiza operações privilegiadas no mercado bolsista".

A importância política do tema foi confirmada por uma sondagem da Associated Press realizada junto de mais de 100 mil eleitores em todo o país, no âmbito do AP Voter Poll.

Segundo o estudo, cerca de quatro em cada dez eleitores identificaram a economia como o principal problema dos Estados Unidos, enquanto aproximadamente três em cada 10 apontaram o estado da democracia.

Cerca de metade dos inquiridos considerou a corrupção governamental um fator decisivo na escolha dos candidatos ao Congresso.

Novembro 5, 2026 . 21:45

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