
Sánchez pede uma Europa mais aberta à América Latina
O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, pediu hoje uma União Europeia (UE) "mais aberta" à América Latina, na cerimónia de abertura da 30.ª Cimeira Ibero-Americana, a decorrer em Madrid até quinta-feira.
"A Europa tem de olhar mais além das suas fronteiras, tem de ampliar as suas alianças e de fazer novos amigos além de cuidar os que já tem", disse Sánchez.
"Estou convencido de que não há nenhuma outra região do mundo com quem a Europa tenha tantos motivos para se entender como com a comunidade ibero-americana", acrescentou.
O líder do Governo espanhol considerou que para além dos vínculos culturais, históricos, económicos e afetivos, há "sobretudo valores" que a UE e a comunidade ibero-americana podem "defender juntos", como "a democracia, os direitos humanos, a paz, o desenvolvimento sustentável, a ordem internacional baseada em regras e uma lei que é de todos, não do mais forte".
"Uma Europa mais aberta à América Latina e ao Caribe será sem dúvida uma Europa mais forte. E uma América Latina e um Caribe mais abertos à Europa serão também mais fortes, com mais oportunidades e maior capacidade de influência", defendeu.
Referindo a aliança recente da UE com o Canadá, e dirigindo-se diretamente ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, presente na cerimónia de abertura da cimeira, Sánchez convidou "os amigos da América Latina e do Caribe a seguir esse exemplo".
"Que a América Latina e o Caribe estreitem laços com a Europa", numa "aliança mais forte e ambiciosa e com maior peso no mundo", acrescentou.
O líder do Governo espanhol disse que "chegou o momento" de os vínculos que unem os dois lados do Atlântico se traduzirem também em "maior influência económica, política e diplomática", algo de que necessita a comunidade ibero-americana mas igualmente o mundo, numa época em que se questiona o multilateralismo ou o direito internacional, com “demasiados países" a fecharem-se ou a reduzirem a cooperação.
Pedro Sánchez falava na cerimónia inaugural da 30.ª Cimeira Ibero-Americana, numa gala no Teatro Real de Madrid, presidida pelos Reis de Espanha, Felipe VI e Letizia Ortiz.
A gala arrancou com um minuto de silêncio em memória das vítimas do acidente ferroviário da semana passada em Espanha, no qual morreram 69 pessoas.
Os 22 países da comunidade ibero-americana estão representados nesta cimeira, que termina na quinta-feira.
Portugal está representado pelo Presidente da República, António José Seguro, e pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Dois ex-primeiros-ministros de Portugal, António Costa e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, estão também em Madrid, como convidados especiais da cimeira.
A cerimónia de abertura de hoje contou com vários momentos musicais, um deles protagonizado pela cantora portuguesa Carminho e o músico uruguaio Jorge Drexler.
As cimeiras ibero-americanas realizam-se a cada dois anos e Portugal propôs ser o anfitrião da de 2030, que se seguirá à de 2028, nas Honduras.
A comunidade é composta por três países europeus (Portugal, Espanha e Andorra) e 19 latino-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, México, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Cuba e República Dominicana).







