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Buzinão contesta intenção do Governo em portajar IP3

Associação de Utentes e Sobreviventes considera “opção inaceitável”, dado tratar-se de uma via “estruturante de ligação regional, nacional e internacional”

O buzinão que ontem foi ouvido, ao final da tarde, no Itinerário Principal (IP3), em Penacova, junto ao Bar 21, teve como objetivo principal contestar a intenção do Governo em portajar aquela via após a empreitada de duplicação e requalificação da artéria que liga Coimbra a Viseu.

«É uma opção inaceitável. O IP3 é uma via estruturante de ligação regional, nacional e internacional, fundamental na ligação ao interior do país, que não tem alternativa viável, pelo que é inaceitável a cobrança de portagens», frisaram os elementos da Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3, promotora do buzinão.

«Todos os dias passam nesta via à volta de 40 mil carros, se a via for portajada, acrescentado à escalada dos preços dos combustíveis, torna-se impossível de aguentar», afirmou Avelino Mesquita. O porta-voz do movimento referiu ainda que o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, adiantou que as portagens seriam colocadas assim que as obras terminassem. «Ora queremos saber a que obras se refere, se são as de Viseu até Santa Comba Dão ou se as de Santa Comba Dão até Coimbra», questionou.

«O que queremos é o IP3 sem portagens. Sempre nos disseram que iam fazer as quatro faixas e que não havia portagens. Agora vem o senhor ministro dizer que põe a hipótese de haver portagens. Não aceitamos», garantiu o responsável.

Outras das questões que preocupa a Associação de Utentes e Sobreviventes do IP3 são «as queixas dos proprietários onde começaram as obras» e que atualmente «ainda não têm acesso aos terrenos expropriados».

"O que queremos é o IP3 sem portagens"

A Associação de Utentes e Sobreviventes relembra ainda as muitas lutas desenvolvidas pelas populações naquela que ficou conhecida como a estrada da morte. «A correção do traçado e o alargamento para as quatro faixas de rodagem é fundamental para responder ao intenso tráfego e garantir a segurança de quem aqui circula mas não faz sentido imputar ainda mais custos», frisou.

Após o protesto de ontem os membros do movimento vão reunir-se e desenhar outras formas de luta. «A próxima iniciativa é falar com as entidades governamentais. Em primeiro lugar com a Infraestruturas de Portugal e depois logo se vê», concluiu Avelino Mesquita.

Já Alberto Andrade, utente também do IP3 mas com maior ligação a Santa Comba Dão assume a existência de graves problemas no traçado.

«Não são graves, são gravíssimos. Um processo que ao longo dos anos já deveria estar concluído. Verificam-se efetivamente os atrasos rodoviários, os riscos de acidentes contínuos, a falta de proteções nas laterais das estradas e alguma deficiência na sinalização. Já morreu muita gente, basta», precisou.

Outubro 31, 2026 . 16:00

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