
Flávio Bolsonaro quebra silêncio após fuga e declara-se presidente eleito
A declaração consta numa "carta à nação brasileira" divulgada nas suas redes sociais por Flávio Bolsonaro, candidato derrotado domingo na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras pelo atual Presidente, Lula da Silva.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro aterrou hoje em Miami acompanhado da esposa e das duas filhas, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina.
Na carta, Flávio Bolsonaro afirmou dirigir-se ao povo brasileiro e à comunidade internacional "como o verdadeiro presidente eleito do Brasil", reiterando a contestação ao resultado das eleições.
O senador acusou ainda o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de não apresentar respostas sobre a prorrogação do horário de votação na segunda volta e afirmou que houve "abuso de poder político, económico e uso da máquina pública em favor da reeleição" de Lula.
Segundo Flávio, essas situações "justificam a cassação [anulação] da chapa [candidatura] Lula-Alckmin", além de ter classificado como "fraude eleitoral" o resultado das eleições realizadas no domingo.
"Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos", escreveu, acusando ainda uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de ter permitido a extensão do horário de votação.
A possibilidade de Flávio sair do Brasil caso perdesse as eleições já tinha sido anunciada pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, atualmente foragido da Justiça brasileira, e a residir nos Estados Unidos desde 2025.
A fuga de Flávio Bolsonaro ocorreu um dia depois de ter sido intimado pela Polícia Federal, por ordem do juiz do STF Alexandre de Moraes, a entregar todos os passaportes que possui no prazo de 24 horas, e de ter sido proibido de deixar o Brasil.
A decisão de Moraes consta de um processo em que Flávio e um amigo, o advogado Willer Tomaz, são investigados por branqueamento de capitais, num suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e uma plataforma de apostas.
O senador da extrema-direita brasileira é ainda alvo de uma investigação do STF por suspeita de branqueamento de capitais no financiamento do filme "Dark Horse", uma cinebiografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que se encontra detido por tentativa fracassada de golpe de Estado.
Na segunda-feira, um dia antes de deixar o país, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais em que garantiu que nunca deixaria o Brasil e que entregaria os passaportes às autoridades policiais.
Na carta divulgada hoje, porém, afirmou que decidiu sair do país para proteger a família e rejeitou a descrição de que teria fugido do Brasil.
"Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece", escreveu.
Flávio Bolsonaro agradeceu ao Presidente argentino, Javier Milei, pela "coragem, senso de justiça e legalidade", e ao Presidente norte-americano, Donald Trump, e ao povo dos Estados Unidos por o terem acolhido.
"O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão", afirmou, acrescentando que agradecia novamente ao chefe de Estado norte-americano e ao Governo dos Estados Unidos "por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil".
O senador afirmou ainda que vai liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos e prometeu dirigir-se regularmente aos brasileiros nos próximos dias.
"Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil", escreveu, acrescentando que será "a voz e a liderança livre da nossa nação".
"Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil", afirmou Flávio, que acusou as instituições brasileiras de promoverem perseguição política contra a família Bolsonaro.
"Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre", concluiu.







