
Viúva de Navalny rejeita chamar "humanista" a Putin após morte do opositor
Yulia Navalnaya, viúva do opositor russo Alexei Navalny, declarou em Londres ser um "disparate" chamar "humanista" ao Presidente russo, Vladimir Putin, conforme feito pelo enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff.
"Putin matou o meu marido. Por isso, para mim, chamá-lo de 'humanitário' é um disparate. E não se trata apenas de guerras. Este ano, na Conferência de Segurança de Munique, cinco países europeus afirmaram que há muitas provas de que o meu marido foi envenenado na prisão", afirmou Yulia Navalnaya.
A viúva reagia às declarações proferidas por Witkoff na semana passada durante uma reunião em São Petersburgo, onde elogiou Putin.
"Fala tanto do meu presidente, o Presidente Trump, como sendo um humanista - o senhor também é um humanitário, e eu saúdo isso. Felicito-o", disse o enviado norte-americano, referindo-se à libertação de um cidadão dos Estados Unidos.
Moscovo libertou recentemente Stephen Hubbard, professor aposentado norte-americano de 74 anos, detido desde 2022 e condenado a sete anos de prisão por alegado combate como mercenário na Ucrânia.
Alexei Navalny morreu numa prisão no Ártico, na Rússia, em 2024, com 47 anos.
A viúva recordou que Navalny foi inicialmente tomado como refém ao ser detido à chegada à Rússia em 2021 e permaneceu preso durante anos, "como se estivesse na prisão". Em 2023, foi condenado a 19 anos por alegada fundação e financiamento de uma organização terrorista.
"Tinham tanto medo dele que o envenenaram", afirmou Yulia Navalnaya, que preside atualmente à Fundação dos Direitos Humanos. Esta entidade apresentou em Londres uma colaboração com a organização Ação pela Democracia para desenvolver o "Índice de Colaboração Autoritária".
Num comunicado conjunto divulgado em fevereiro, os governos do Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e dos Países Baixos denunciaram que Navalny morreu envenenado com uma toxina letal presente em rãs-dardo venenosos da América do Sul.
Por sua vez, a Rússia afirma que Navalny faleceu por causas naturais durante a detenção, em fevereiro de 2024.






