
Caso de homem que atirou 'cocktail molotov' segue para julgamento
O caso do homem acusado de terrorismo por ter atirado um 'cocktail molotov' contra a Marcha Pela Vida vai seguir diretamente para julgamento, garantiu hoje a defesa, insistindo que nunca houve intenção de ferir alguém.
"Não se vai requerer a abertura da instrução. Espera-se que o julgamento possa ser marcado com rapidez", afirmou, em comunicado, o advogado Ricardo Sá Fernandes, acrescentando que a defesa espera "um julgamento justo, em que fique claro, sem margem para dúvidas, que nunca houve a intenção de ferir ou magoar alguém".
O Ministério Público (MP) acusou um homem, de 39 anos, de 10 crimes de infrações terroristas, nove das quais na forma tentada, em concurso aparente com oito crimes de tentativa de homicídio, um de tentativa de incêndio e outro de detenção de arma proibida, anunciou hoje o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).
Em causa está o arremesso pelo arguido, em 21 de março de 2026, de um 'cocktail molotov' contra os participantes da Marcha Pela Vida, uma manifestação contra o aborto, nas imediações da Assembleia da República, em Lisboa, sem causar feridos.
Segundo o DCIAP, o arguido "tem uma forte obsessão com a divisão de classes, adotando a retórica de inspiração marxista da exploração e traição da classe trabalhadora" e passou, "pelo menos entre 2021 e abril de 2026", por "um processo de radicalização ideológica e operacional" que culminou no ataque aos manifestantes da Marcha Pela Vida, que enquadraria no "espectro político do que considerava ser a direita conservadora, o capitalismo, a extrema-direita ou o fascismo".
A defesa contrapôs que o ativista "não acredita que a violência seja um meio para obter quaisquer resultados" e que existe prova no processo, incluindo imagens de videovigilância, de que o 'cocktail molotov' não foi atirado "intencionalmente [...] contra quaisquer pessoas".
O arguido foi detido em abril pela Polícia Judiciária (PJ) e encontra-se desde então a aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva.







