
Portugal reforça alianças e investe em tecnologia militar para responder aos desafios atuais
O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, defendeu a aceleração da inovação militar durante o encerramento do exercício ARTEX26, realizado no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, distrito de Santarém.
O exercício contou com a participação de 77 empresas, 112 soluções tecnológicas e representantes de 22 países. Nuno Melo afirmou que "por estes dias, o ARTEX foi um verdadeiro laboratório do futuro na defesa" e sublinhou que os ciclos de inovação de drones e outros sistemas se medem em semanas ou dias, pelo que a adaptação às novas formas de combate "não pode esperar".
"Quem não evolui, perde no campo de batalha", advertiu o ministro, enfatizando que os conflitos atuais exigem soluções capazes de acompanhar a rápida transformação tecnológica e que o exercício contribui para preparar os militares para esta realidade.
"No ARTEX, aperfeiçoam-se protótipos, antecipam-se tendências, acelera-se a experimentação", destacou, valorizando a colaboração entre militares, indústria, universidades e centros de investigação.
Nuno Melo recordou que Portugal atingiu em 2025 a meta de investir 2% do Produto Interno Bruto na defesa, mas frisou que "o investimento só por si significa pouco", defendendo a sua transformação em capacidades efetivas. Salvaguardou ainda que "o ARTEX cresce, internacionaliza-se e hoje é uma marca do Exército português".
Durante a mesma cerimónia, o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Eduardo Mendes Ferrão, anunciou a assinatura, na terça-feira seguinte, de um memorando de entendimento com a iniciativa de inovação DIANA, da NATO, que irá integrar o Centro de Experimentação e Modernização Tecnológica do Exército (CEMTEx) como centro de testes afiliado.
"A capacidade de experimentar, integrar e validar novas tecnologias deixou de ser uma opção, passa a constituir uma necessidade estratégica", afirmou o general, acrescentando que os exércitos que transformarem mais rapidamente o conhecimento em capacidade operacional estarão melhor preparados para os desafios das próximas décadas.
O general Mendes Ferrão destacou ainda o projeto da Zona Livre Tecnológica D. Afonso Henriques, que contempla os locais de São Jacinto, Santa Margarida e Beja, esperando a sua concretização em breve para permitir testes terrestres e aéreos, inclusive com munições e explosivos em escala real.
Manifestou a ambição de tornar Portugal "um centro experimental tecnológico europeu", apoiado nas condições de treino nacionais e na experiência acumulada pelas Forças Armadas nos exercícios ARTEX, REPMUS e SPACE EX.
Por seu lado, o diretor executivo da Agência Europeia de Defesa, André Denk, alertou para as ameaças reais e imediatas à segurança europeia, incluindo a invasão russa da Ucrânia, ataques híbridos e incursões de drones no território da União Europeia.
Denk destacou o contributo de parceiros ucranianos, cuja experiência na frente de combate orientou os testes para necessidades militares reais. A campanha envolveu mais de 200 especialistas, utilizadores militares e inovadores.
O responsável anunciou que quatro empresas da Polónia, Finlândia, França e Estónia foram selecionadas, após testes em Santa Margarida, para receber 300 mil euros cada e continuar o desenvolvimento de soluções tecnológicas militares.
Seis empresas, cada uma de um Estado-membro diferente, participaram na experimentação. As quatro seleccionadas avançam para novos testes, com a possibilidade de duas delas receberem financiamento adicional superior a 500 mil euros.
Iniciado em 2023, o ARTEX integrou pela primeira vez a campanha HEDI OPEX26, dedicada à experimentação de drones, sistemas terrestres não tripulados, sensores, comunicações e outras tecnologias em condições operacionais.







