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Pobreza persistente afeta mais de 60% em Portugal em 2025

Em 2025, 9,5% da população residente em Portugal vivia em risco de pobreza persistente

Em 2025, a pobreza persistente afetava 61,7% das pessoas pobres em Portugal, segundo o estudo "Trajetórias da Pobreza e da Privação" divulgado no âmbito do projeto "Portugal, Balanço Social".

"Entre 2022 e 2025, cerca de um quarto da população (25,6%) esteve em pobreza pelo menos durante um ano e 6,9% permaneceu nessa situação ao longo dos quatro anos", segundo os dados recolhidos para este trabalho.

Já a percentagem de crianças em pobreza persistente diminuiu para metade entre 2015 e 2025, de 18,1% para 9,3%.

No ano passado, 9,5% da população residente vivia em risco de pobreza persistente, definido como o risco de pobreza nesse ano e em pelo menos dois dos três anos anteriores.

Dos 15,4% da população que esteve em risco de pobreza em 2025, 61,7% encontrava-se numa situação de pobreza persistente.

O estudo, desenvolvido pela Universidade Nova, acompanhou os mesmos indivíduos durante quatro anos, permitindo distinguir entre situações transitórias e persistentes de pobreza e privação, nas quais os mecanismos de exclusão social podem ser mais difíceis de reverter.

Os investigadores afirmam que "os resultados mostram que a taxa de pobreza de um determinado ano esconde trajetórias muito díspares".

Em detalhe, 8,8% da população esteve em risco de pobreza durante um ano, 5,3% durante dois anos, 4,6% durante três e 6,9% durante os quatro anos. Em contraste, 74,4% nunca esteve em risco de pobreza no período analisado.

A última década revelou uma melhoria significativa na taxa de pobreza persistente, que desceu de 13,6% em 2015 para um mínimo de 7,1% em 2024. Contudo, em 2025 registou-se uma inversão desta tendência, com a taxa a subir para 9,5%.

Quanto ao perfil etário da pobreza persistente, observa-se uma alteração: "Se no início do período analisado eram as crianças e jovens que apresentavam maior incidência, em 2025 são as pessoas com 65 ou mais anos que registam a taxa mais elevada, de 10,6%, face a 9,3% entre os menores de 18 anos e 9,0% entre a população dos 18 aos 64 anos".

Existem também diferenças entre géneros. Em 2025, 10% das mulheres estavam em risco de pobreza persistente, contra 9% dos homens.

Entre 2022 e 2025, 21,4% da população passou por uma situação de privação material e social durante pelo menos um ano, enquanto 3,4% permaneceu nessa situação durante os quatro anos.

As dificuldades financeiras dominam as situações de privação persistente: 25,4% da população não conseguiu pagar uma semana de férias fora de casa de forma persistente, 22,4% não conseguiu substituir móveis usados e 20,7% não teve capacidade para fazer face a despesas inesperadas.

O estudo identificou também uma relação entre privação persistente e níveis reduzidos de confiança interpessoal: 24,5% das pessoas em privação persistente afirmou não confiar nada nos outros, contra 7,2% entre quem não se encontrava nessa situação.

A análise baseou-se em dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) do Instituto Nacional de Estatística (INE), com uma amostra representativa de 6.057 indivíduos entre 2022 e 2025, incluindo dados de períodos anteriores entre 2012 e 2015.

Outubro 14, 2026 . 19:02

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