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“Passar ou não passar a universidade depende da estratégia da instituição”

Ministro da Educação e do Ensino Superior esteve em Viseu, onde inaugurou as residências para estudantes e o novo edifício da Escola Superior Agrária da UPV

O ministro da Educação e do Ensino Superior, Fernando Alexandre, fez depender da estratégia da Universidade Politécnica de Viseu a possibilidade de se transformar em universidade.
Durante a cerimónia de inauguração das residências para estudantes daquela instituição, o presidente da Câmara de Viseu e da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, João Azevedo, revelou disponibilidade por parte da região para que, dentro de alguns anos, “esta Universidade Politécnica de Viseu se transforme naquilo que o atual reitor e toda a estrutura pretendem: que se possa transformar numa universidade”.
No final da cerimónia, e questionado pelos jornalistas, o governante referiu que tudo dependerá da instituição. O ministro referiu que “o passo que foi dado com a criação das universidades politécnicas reflete a visão do Governo para o ensino superior”. “Os ensinos universitário e politécnico convivem cada vez mais dentro da mesma instituição. Neste momento há uma universidade que não tem ensino politécnico integrado. O que temos feito é desfazer esta visão de ter de um lado as universidade e do outro os politécnicos, neste momento são todas universidades”, sublinhou. “Qualquer universidade politécnica pode ter um projeto nesse sentido, mas não têm de ter necessariamente, porque pode ser uma instituição profundamente transformadora e mobilizadora da região, mantendo-se como universidade politécnica, não há qualquer impedimento. Passar ou não passar a universidade depende da estratégia da instituição”, concluiu.
Quanto à inauguração da reabilitação de três residências e de uma nova, considerou que “mostra a vontade de investir numa área que é decisiva para o sucesso no ensino superior”, nomeadamente, “o alargamento da capacidade de alojamento para estudantes deslocados”.
O reitor da Universidade Politécnica de Viseu, José Costa, agradeceu ao ministro a ajuda e a forma como “criou oportunidades que nunca tivemos”. “Hoje não estamos a descerrar apenas uma placa, estamos a honrar a persistência, e a paciência, para vencer”, adiantou.
“As residências universitárias não podem ser meros dormitórios. Têm de ser vistos como espaços vivos de integração, de bem-estar, de partilha e de celebração do sucesso académico. Ao garantirmos instalações modernas, com salas de estudo abertos 24 horas, bibliotecas e áreas onde a amizade vai florescer, estamos a dizer a estes estudantes e às famílias que a vossa dedicação e o vosso sacrifício merecem a nossa melhor resposta”, sublinhou.
José Costa revelou ainda que há um novo desafio, nomeadamente, transformar o jardim universitário de Viseu, “num espaço de harmonia, biodiversidade, saúde e bem-estar”. “Queremos que este jardim seja um espaço verde de braços abertos para o mundo, onde o estudante possa ler à sombra do ar, onde o investigador encontre a resposta que procura e onde o cidadão de Viseu se possa sentar e conversar. Este jardim será o símbolo máximo da proximidade. Um ponto de encontro entre gerações. Um pulmão verde cura o corpo e a mente”, defendeu.
O presidente da Câmara de Viseu, João Azevedo, por sua vez, referiu que a inauguração dos novos edifícios de residência para os estudantes “é um passo muito importante para a resposta àquilo que tem a ver com a importância do território”. “Nós temos uma academia pujante, cheia de alunos, com capacidade de grande crescimento e naturalmente este supletivo na vida das famílias é muito importante”, acrescentou. Quanto à possibilidade da Universidade Politécnica de Viseu se transformar numa universidade, adiantou que “essa universidade pode ter mais oferta formativa e pode ter mais capacidade de recrutamento”.

 

Novo edifício da Escola Superior Agrária era sonho com mais de três décadas

O ministro da Educação e do Ensino Superior também inaugurou o novo edifício da Escola Superior Agrária de Viseu, cujo presidente admitiu que “professores, funcionários e colaboradores estavam em pulgas para que o dia de hoje chegasse”.
“É uma enorme satisfação e um orgulho muito grande e até uma emoção muito grande, partilhada por toda a comunidade académica, o dia que hoje aqui celebramos. Esta espera teve de facto 32 anos. Estivemos este tempo todo à espera de um edifício administrativo e pedagógico, porque estivemos muito tempo em instalações ditas temporárias, que se tornaram, e pensávamos nós que seriam, definitivas”, disse o responsável na cerimónia.
Quanto ao futuro, Hélder Viana defendeu que “uma escola agrária do século XXI é muito mais que uma escola dedicada à agricultura”. “Atuamos na agricultura, na floresta, na prevenção de incêndios rurais, na proteção civil, na biodiversidade, na alimentação, na saúde, no bem-estar animal, na sustentabilidade. Desenvolvemos muita investigação, participamos em projetos nacionais e internacionais, com muitas publicações de alto nível, colaboramos com municípios, empresas, organizações, transformamos o conhecimento em soluções concretas. Acompanhamos também a transformação tecnológica destes setores. É esta escola que queremos construir”, adiantou.
“Uma escola que preserva as suas raízes, mas que se afirma cada vez mais como uma escola das ciências da vida, da alimentação, dos recursos naturais e das biotecnologias. Por isso, no âmbito dos novos estatutos da UPV, estamos preparados para evoluir para uma designação mais abrangente e atrativa, que traduza melhor aquilo que somos e aquilo que queremos ser”, revelou.
Em dia de festa deixou também algumas críticas. “Apesar da importância estratégica dos setores agrário e florestal, continuamos a enfrentar dificuldades na captação de estudantes. Precisamos também de uma estratégia nacional de valorização, de formação destas profissões, tornando-as mais atrativas para os jovens. Não basta formar jovens, é necessário proporcionar-lhes carreiras valorizadas, remunerações adequadas, acesso à habitação, condições para poderem construir um futuro no nosso país”, referiu.
“A partir de agora, já temos mais condições para ter mais alunos neste espaço do ensino e do conhecimento. Devemos vender, salvo seja, a qualidade do conhecimento que aqui é produzido e a qualidade das infraestruturas que hoje existem nesta escola. É este o grande objetivo coletivo. Para que as empresas na área da floresta, as empresas na área do agropecuário, as empresas de outras áreas que estão aqui alocadas possam servir-se dos recursos humanos que estão a ser aqui melhorados em termos de conhecimento”, defendeu, por sua vez, o presidente da autarquia viseense.

Outubro 9, 2026 . 20:15

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