
Adega do Douro Superior foi “tábua de salvação” para produtores vitícolas do território
A EspadaCinta-Vinhos recolheu mais um milhão de quilos de uvas de produtores do Douro Superior, que consideram que esta foi uma “tábua de salvação” do território inserido na Região Demarcada do Douro, após a rejeição de outras empresas.
Em fim de vindimas, vários viticultores do Douro Superior juntaram-se nesta adega, situada em Vale da Teja, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda, em clima de festa, para celebrar a decisão da empresa que acabou por ser “a tábua de salvação” para vários produtores.
Mais de um milhão quilos de uvas estavam condenadas a ficar nas videiras, o que somava prejuízos para o já debilitado setor vinícola na Região Demarcada do Douro (RDD).
José Feliz, um produtor do Douro Superior, contou à Lusa que meteu na adega EspadaCinta-Vinhos cerca de 140 mil quilos de uvas.
“Foi uma salvação para esta região, porque as empresas habituais onde fazia entrega das uvas não as aceitaram. Se não fosse a aceitação desta adega, muitas toneladas de uvas ficariam nas videiras. Era prejuízo financeiro e moral, porque todos os dias tínhamos de nos deparar com o mesmo cenário”, vincou.
Alexandre Araújo, também produtor neste território duriense, mostrou-se contente com a atitude desta empresa, em recolher a suas uvas, o que se traduziu numa boa solução para quem não tinha onde entregar esta matéria-prima, após a rejeição de outras organizações ligadas ao setor vinícola na RDD.
“Esta foi uma boa solução para nós e para a região do Douro Superior, com intendências no concelho de Foz Côa e Torre de Moncorvo [Bragança. Deveria haver mais empresas com esta atitude para bem da RDD. Só eu meti nesta adega um terço da minha produção de 200 mil quilos. Caso não tivesse esta oportunidade, seria muito complicado, tanto para mim como para outros produtores. Esperemos que assim continue, para o Douro continuar”, disse.
Por seu lado, o produtor, António Antunes, frisou que a recolha de uvas por parte da EspadaCinta-Vinhos ajudou a que o preço pago não baixasse, já que aqui, foi pago a 60 cêntimos o quilo.
“As pessoas estão a aproveitar-se da crise no Douro, para que o preço [das uvas] seja baixo. Este trabalho do empresário José Santos, veio dar uma ajuda, já que o ano foi de muita produção, mas não havia onde a meter”, indicou o viticultor à Lusa.
O empresário José Santos, que detém 67% do capital da empresa EspadaCinta- Vinhos enquanto os restantes 33% são Adega Cooperativa de Freixo de Espada de Cinta, contou à agência Lusa que nunca procurou os produtores, eles foram chegando muito devagar e, este ano, foi excecional.
“Os agricultores foram praticamente abandonados pelas firmas que comercializam o ‘Vinho do Porto’, porque não receberam a produção de uvas excedentes. E, sem dúvida, que foi a nossa empresa que valeu a esta gente e que lhe deu a possibilidade de meter nesta adega um milhão e 50 mil quilos de uvas, nesta campanha”, sublinhou.
Segundo o empresário, será pago o devido valor aos produtores, que se situa nos 60 a 70 cêntimos por quilos de uvas.
“Inicialmente, estávamos preparados para receber quatrocentos mil quilos de uvas, mas não fomos capazes de mandar as pessoas embora e chegamos a um milhões e 50 mil quilos de uvas recolhidas. Ficamos com cubas cheias e a fermentação já não dava mais,” frisou.
Uma dos grandes clientes da EspadaCinta- Vinhos é a cadeia de supermercados Mercadona, com quem já foi estabelecido um contrato de fornecimento de vinhos produzidos nesta adega.
Segundo José Santos, com mais de um milhão de quilos de uvas recolhidos, há previsão de 550 mil litros de vinho, o que se traduz em 750 mil garrafas de vinhos de mesa tintos e brancos.
Desde 2022, já foram investidos nesta adega mais de seis milhões de euros entre a sua aquisição e modernização.
Tudo isto resulta da revitalização da antiga União de Cooperativas Super Douro, criada há 25 anos e que juntava cinco adegas da sub-região vitivinícola do Douro Superior.
O empresário já havia garantido que aproveitou o potencial que reconheceu à iniciativa anterior da criação de uma União de Adegas Cooperativas no Douro.
Esta adega é certificada, o que lhe permite exportar vinhos de mesa para vários mercados europeus.








