
“O Mundo Mágico do Tudo Bem” no palco do Teatro Viriato
‘O Mundo Mágico do Tudo Bem’, nova peça da companhia A Turma com encenação de António Afonso Parra, sobe esta sexta-feira, a partir das 21h00, ao palco do Teatro Viriato, em Viseu.
Num espetáculo entre o absurdo, a sátira e a inquietação, que obriga o público a confrontar-se com o falhanço da humanidade e a realidade contemporânea, uma trupe de artistas está cansada de alimentar a ilusão de que está “tudo bem”. Durante o espetáculo, as portas do circo fecham-se e o público torna-se simbolicamente “refém” de um debate sobre a sociedade contemporânea, o excesso de informação, o entretenimento permanente e a dificuldade em enfrentar a realidade.
“O título do espetáculo surge de um poema do Henrique Manuel Bento Fialho que fala sobre dois amigos que se cruzam na rua, perguntam um ao outro se está tudo bem e seguem caminho sem esperar pela resposta. É uma analogia ao estado da sociedade contemporânea muito autocentrada e alienada da realidade, vivendo permanentemente num ‘mundo mágico do tudo bem’”, explica António Afonso Parra.
Para o encenador, a escolha de a ação decorrer num circo recupera a ideia de “pão e circo” enquanto forma de entretenimento das massas em períodos de crise e instabilidade. “Tendo em conta que o circo é um lugar mágico feito para entreter as massas, perguntamo-nos o que é que aconteceria se os próprios artistas deixassem de acreditar nessa ilusão. Será que o público a conseguiria manter de pé?”, questiona.
Entre humor e desconforto, entre teatro e circo contemporâneo, ‘O Mundo Mágico do Tudo Bem’ procura colocar o espetador dentro da ação. “Não é um espetáculo televisivo onde podemos mudar de canal”, afirma o encenador, que assume o gesto de fechar as portas como “uma provocação teatral” e, simultaneamente, uma “metáfora para a impossibilidade de continuar a fugir da realidade”.
Com uma forte componente visual e sonora inspirada no universo circense, a encenação procura primeiro envolver o público para depois lhe “tirar o tapete”. “Se [as pessoas que assistirem] saírem da sala diferentes de como entraram, já cumpri o meu papel”, resume António Parra.







