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Estruturas da PSP e GNR contra negociações de “polícias low-cost”

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), juntamente com a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), realiza hoje no Porto a primeira manifestação de um conjunto de protestos previstos para várias cidades do país

Os responsáveis pelo maior sindicato da PSP e associação da GNR consideraram hoje que nas negociações com o Governo, na terça-feira, estará em causa evitar que haja polícia ‘low-cost’ em Portugal.

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), juntamente com a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), realiza hoje no Porto a primeira manifestação de um conjunto de protestos previstos para várias cidades do país.

À porta do Quartel do Carmo, no Porto, no início da concentração, o presidente da APG, César Nogueira, disse à Lusa que a manifestação “é a única forma de demonstrar ao Governo e ao cidadão, se quer uma polícia low-cost, que depois vai ter que andar a arranjar outros trabalhos por fora para poder ter um ordenado ao fim do mês para sustentar a família, ou sequer ter uma polícia capaz, que esteja sempre pronta e apta a os proteger”.

No outro lado da cidade, junto ao Comando Metropolitano do Porto, o líder da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Santos, quando questionado se partilha da opinião de César Nogueira, disse subscrever a afirmação.

“Estamos a falar em instituições - PSP e GNR - que têm sido o parente pobre da parte policial, ou seja, aumentamos as nossas valências, substituímos outras polícias, no caso do SEF, mas continuamos com os mesmos ordenados ou com uma valorização muito baixa para aquilo que era necessário”, acrescentou o dirigente sindical.

A manifestação de hoje sobre a reestruturação das carreiras e a organização do tempo de trabalho acontece na véspera de os dois sindicatos se sentarem à mesa com o ministro da Administração Interna para novas negociações.

Lembrando o acordo assinado em junho de 2024, para melhorar a condição remuneratória, mas do qual dizem ainda não ter visto consequências, os responsáveis lamentam os dois anos desperdiçados, mantendo a exigência do que está no acordo.

“O Ministério veio com um suplemento avulso agora na última reunião. Tudo muito certo. Os profissionais querem ver a situação resolvida [mas] não é através de suplementos (…). Não podemos estar aqui a negociar suplemento a suplemento”, disse César Nogueira, referindo que o suplemento criado para os elementos da GNR que trabalham no controlo de fronteiras e imigrantes apenas beneficiarias “cerca de 900 profissionais”.

“Na PSP serão mais, mas pouco mais”, acrescentou, denunciando o querer “passar a ideia de que todos os guardas foram aumentados. Nós não estamos só a falar numa questão de aumentos também, estamos a falar que o estatuto remuneratório de 2009 não teve grandes alterações e temos agora, atualmente, profissionais que estão a perder dinheiro e se esses profissionais estão a perder dinheiro, o Estado está a poupar milhões”, disse.

Sobre o peso de estar um ex-polícia, Luís Neves, nas negociações, César Nogueira manifestou uma “réstia de esperança” de que daí saia algo de bom, enquanto Paulo Santos se apressou a lembrar que a ASPP “nunca se deslumbrou com a nomeação de ministro”.

“Não basta um ministro ser sensível ou perceber da poda, permita-me a expressão. É importante que tenha respaldo político da parte do governo, da parte das finanças, da parte do primeiro-ministro, que é quem conduz a linha política da ação governativa. Aquilo que nós detetamos é que o dr. Luís Neves, apesar de ser um conhecedor destas dinâmicas policiais e até conhecedor daquilo que é a realidade da PSP, não tem condições políticas objetivas que nos permita dizer que é muito diferente dos outros”, argumentou.

Neste contexto, insistiu, que “está na mão do Governo dar condições ao dr. Luís Neves ou a outro ministro que venha a substituí-lo para que os problemas possam ser resolvidos.

Pelas 18:30, junto ao Comando Metropolitano do Porto da PSP estavam concentrados cerca de duas centenas de agentes da Polícia, um número que César Nogueira disse também ser possível de alcançar do lado da GNR.

Setembro 28, 2026 . 20:00

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