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Museu do Falso ocupa loja da Rua Direita durante 24 horas

Visita guiada ininterrupta arranca sexta-feira, às 10h30, num capítulo de despedida do projeto

Em coprodução com o Teatro Viriato, o Museu do Falso apresenta, entre as 10h30 desta sexta-feira e as 10h30 de sábado, uma visita guiada ininterrupta que atravessa dia e noite, num capítulo de despedida do projeto.
“É o ano da morte do Museu do Falso”. É assim que o projeto anuncia a sua última grande ação antes do desaparecimento, recuperando, a propósito, o espírito definitivo do ‘Manifesto Anti-Dantas’, de Almada Negreiros.
O Museu do Falso instala-se numa loja da rua Direita, nomeadamente, o número 71, atrás da estátua ao Soldado Desconhecido, em Viseu, para uma última ação que será simultaneamente visita guiada, exposição e ocupação temporária do espaço urbano. Ao longo de 24 horas, o público é convidado a atravessar o acervo e a história de um projeto que, desde 2012, tem trabalhado sobre as formas de construir, transmitir e questionar as narrativas da memória e do património.
“Uma das críticas — há várias e são todas aceitáveis, certamente — é a de que uma visita guiada ao Museu do Falso é muito longa ou, por contrapartida, fica curta. Em boa verdade, já tivemos múltiplos formatos expositivos, temporais, etc. A mudança sempre fez parte do que quisemos testar: um Museu pode existir em qualquer modalidade desde que assuma os artefactos como parte de como contamos as histórias uns dos outros”, explica Rui Macário, diretor e coordenador geral da Projecto Património / Memória Comum - Associação, responsável pelo projeto.
A duração excecional da visita é também uma forma de questionar a própria experiência museológica. Para o Museu do Falso, não existem necessariamente ‘horas certas’ para visitar ou fazer determinadas coisas. Sendo que a passagem entre dia, noite e crepúsculo permite experimentar diferentes momentos de relação com o espaço, com os objetos e com a própria cidade.
A escolha da rua Direita recupera uma característica presente desde os primeiros momentos do projeto: a ocupação temporária de espaços comerciais e a relação direta com os territórios a que pertence, nomeadamente os centros urbanos.
“O ser um antigo espaço comercial na rua Direita remete para o próprio início do Museu do Falso, num espaço comercial na rua Silva Gaio (Viseu). É igualmente um modo de continuar a insistir na rua Direita. Vale a pena insistir na cidade e nos centros das cidades, ainda para mais quando existe a história e o simbolismo que a rua Direita corporiza”, refere Rui Macário.
Ao longo das 24 horas estarão disponíveis objetos e histórias que fizeram, poderiam ter feito ou estavam destinados a integrar o acervo do Museu do Falso desde a sua criação. “Tudo o que haja, tenha havido ou estivesse para haver como parte do acervo do Museu, desde 2012. Com alguma seleção e edição por limitações de espaço e algumas lacunas no departamento de conservação que os museus enfrentam”, afirma ainda o coordenador.
O ‘Museu do Falso’ é um museu de território, fundado em 2012 e sediado em Viseu, com uma presença física pop-up (de natureza efémera) e permanência online. Entre outras questões, aborda as noções de património cultural, identidade e comunidade(s) através de criações concept-specific (criadas de raiz sobre um determinado conceito) que exploram um lado ficcional, ainda que partindo de factos concretos.
A entrada é gratuita ao longo das 24 horas. Grupos organizados devem fazer marcação prévia através da bilheteira do Teatro Viriato, presencialmente, por email ([email protected]) ou telefone (927 412 671).

Setembro 23, 2026 . 20:00

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