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Mini-observatório “sai” de Coimbra para o Space-Rider da ESA que voará em 2028

Rui Curado da Silva, professor e investigador da Universidade de Coimbra, é o coordenador do grupo i-ASTRO do LIP - Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas

Rui Curado da Silva, professor e investigador da Universidade de Coimbra, é o coordenador do grupo i-ASTRO do LIP - Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas e participou no ciclo de conversas com cientistas Pontos nos iii, promovido pelo UC Exploratório - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra em parceria com o III UC, com o tema “A energia nuclear na atual crise energética e nos conflitos militares”.

Ao longo da sua carreira na investigação, a que áreas se tem dedicado?
Desenvolvimento de telescópios espaciais para observar o Universo nos comprimentos de onda de altas energias (banda raios X e gama), invisíveis aos nossos olhos. Os sensores de raios X e gama que servem para os telescópios, posteriormente serviram também para estudar a emissão de raios gama no topo das nuvens durante tempestades tropicais. E servem também para estudarmos o ambiente de radiação das minas de urânio da Urgeiriça, cujo minério foi extraído para a indústria da energia nuclear.

Que investigação se encontra a desenvolver neste momento?
Um mini observatório para Universo de altas energias que irá voar em 2028 no novo veículo da ESA (European Space Agency), o Space Rider, é o projeto mais importante em que o nosso grupo está a trabalhar.

Quais os objetivos dessa investigação?
Durante o voo do Space Rider vamos realizar observações celestes para estudar novos conceitos tecnológicos e operacionais para os futuros telescópios espaciais de altas energias, contribuindo para observar o céu com maior sensibilidade e aumentar a probabilidade de detetar novos objetos astronómicos. O Space Rider é um veículo reutilizável, voará durante dois meses em órbita da Terra e aterrará na Ilha de Santa Maria, nos Açores. O que nos permitirá recuperar e analisar o nosso instrumento de observação e tirar conclusões preciosas sobre as suas prestações científicas e operacionais.

Qual o impacto ou a aplicação mais prática que a investigação que desenvolve neste momento pode ter para a sociedade?
O nosso projeto com impacto mais direto na sociedade é o estudo do ambiente de radiação das minas de urânio da Urgeiriça. As medidas do ambiente nas zonas residenciais do bairro dos trabalhadores das minas providenciam informação complementar às medidas já anteriormente efetuadas, permitindo uma melhor caracterização dos riscos associados aos radionuclídeos ali ainda presentes.

Na próxima quarta-feira, vai participar no programa de conversas com cientistas Pontos nos iii, promovido pelo UC Exploratório, com o tema “A energia nuclear na atual crise energética e nos conflitos militares”. O que é que o público pode esperar desta sessão?
Nesta sessão vou fazer um ponto da situação da indústria da energia nuclear cerca de 70 anos depois de a primeira central ter sido ligada à rede elétrica. Vamos analisar qual o seu peso para a produção de energia global, para a produção de eletricidade, a difícil situação financeira em que o setor se encontra e a sua dependência da Rosatom de Putin. Mas vamos também analisar o que diz a abundante literatura científica da sua eventual capacidade para mitigar as alterações climáticas e o que diz dos riscos associados à sua operação (trabalhadores e populações), bem como o que diz sobre o impacto dos acidentes ocorridos. Também baseado na ciência publicada, irei apresentar o que foi efetivamente validado para processar e armazenar o combustível nuclear até um horizonte de 600 mil anos. Irei ainda abordar temas de atualidade como os riscos da energia nuclear em cenários de guerra (Ucrânia e Irão), os reatores modulares de baixa potência e a investigação da fusão nuclear para produção de energia.

 

Veja a entrevista com o investigador

Setembro 23, 2026 . 08:44

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