
Ventura acusa PS e PSD de manterem "acordo de não-agressão" para travar descida do IVA dos combustíveis
O presidente do Chega acusou hoje PSD e PS de manterem um "acordo de não-agressão" para impedir a descida do IVA sobre os combustíveis, considerando que estão a falhar na resposta ao aumento do custo de vida.
Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita à Associação dos Agricultores do Ribatejo, em Santarém, André Ventura afirmou que o debate parlamentar de quinta-feira sobre a redução do IVA dos combustíveis constitui uma oportunidade para "mudar a vida das pessoas".
"Neste momento, parece-me mais ou menos evidente que o PS e o PSD fizeram um acordo de não-agressão", afirmou, argumentando que os socialistas "sustentam o Governo em não apoiar as pessoas nos combustíveis e em não descer os impostos sobre os combustíveis" e, em troca, "fingem que fazem alguma coisa".
Segundo André Ventura, a rejeição das propostas do Chega para baixar o IVA dos combustíveis e aplicar IVA zero a bens essenciais do cabaz alimentar constituiria um sinal de incapacidade do parlamento para responder aos problemas dos cidadãos.
"Se na quinta-feira à noite o país olhar para o parlamento e disser 'o que é que mudou hoje?' Nada. Vamos ficar exatamente iguais. É um atestado de incompetência", afirmou.
O líder do Chega afirmou que os agricultores enfrentam uma situação "absolutamente dramática", apontando o aumento dos custos dos combustíveis como um dos principais problemas do setor.
Segundo André Ventura, os agricultores registaram no último ano um aumento de cerca de um euro por litro no gasóleo agrícola, considerando insuficientes os apoios atualmente concedidos pelo Governo e advertindo para a perda de competitividade face a Espanha.
"O preço absolutamente insustentável dos combustíveis não afeta apenas quem se desloca diariamente para trabalhar ou as empresas. Afeta também a agricultura especificamente", declarou.
André Ventura criticou também declarações recentes da ministra do Ambiente apelando à poupança de combustível, considerando que o Governo “procura transferir para os cidadãos” a responsabilidade de uma situação provocada por fatores externos.
"O Governo está a arranjar todas as desculpas, as que pode e as que não pode, para não descer os impostos sobre os combustíveis", declarou.
Em relação à apresentação pelo PS de medidas de emergência para mitigar o aumento do custo de vida, o presidente do Chega desvalorizou a iniciativa, considerando tratar-se apenas de recomendações ao Governo e defendendo que a única medida com impacto imediato seria a redução do IVA dos combustíveis.
Questionado pelo jornalista sobre as acusações proferidas hoje pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, de que o Chega estaria a mentir a propósito da compra de fragatas à Marinha italiana, o líder do Chega reiterou críticas à atuação do Governo e acusou o executivo de falta de transparência.
Segundo André Ventura, continuam por esclarecer aspetos relacionados com a aquisição das embarcações, alegando que o Governo se refugia em argumentos de sigilo para evitar prestar explicações públicas.
"A minha função, como líder da oposição, é pedir esclarecimentos", afirmou, sustentando que o escrutínio da atuação governativa faz parte das suas responsabilidades políticas.
Questionado ainda sobre contactos do Governo tendo em vista negociações para o Orçamento do Estado, André Ventura respondeu que o Chega não recebeu qualquer abordagem por parte do executivo.







