
Escassez de água no Norte e Centro preocupa, apesar de reservas nacionais acima de 2025
As reservas de água em Portugal situam-se atualmente nos 75%, valor superior ao registado em 2025, mas há uma "maior escassez" nas regiões do Norte e Centro, revelou a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho.
"No ano passado, a média nacional era 72% de reservas, neste momento temos, penso que, 75%. De qualquer maneira, há algo completamente diferente que me preocupa em relação a todos os anos passados que é a maior escassez no Norte e no Centro do que no Sul", afirmou a ministra durante uma visita às obras no rio Arunca, em Soure, distrito de Coimbra.
A governante explicou que as bacias hidrográficas do Lima, do Vouga e do Mondego apresentam condições piores do que no ano anterior, enquanto o Algarve, o Litoral Alentejano, o Tejo e o Guadiana estão com níveis de água superiores aos de 2025.
Maria da Graça Carvalho sublinhou a necessidade de "uma grande monitorização na água" pela sua importância para as atividades socioeconómicas e pela relação com a produção de eletricidade.
"Nós produzimos e temos estado protegidos em relação à subida do preço do gás, porque temos muita [energia] renovável. E temos uma renovável que é preciosa, que é a hídrica, que nos dá uma estabilidade ao sistema. Agora, se tivermos menos água, teremos que ter alguma cautela e algum cuidado em relação à utilização da hídrica, o que nos vai obrigar a usar mais gás, que está muito caro", explicou a ministra.
Quanto à gestão da energia hídrica, a ministra garantiu que está a ser feita uma utilização cautelosa para garantir o equilíbrio do sistema energético.
"Estamos a monitorizar todos os efeitos e todas as bacias, dia a dia, hora a hora, a fazer de uma forma muita cautelosa a utilização de energia renovável hídrica, exatamente para ir mantendo equilíbrios", afirmou.
Sem previsão de chuva até ao final de setembro e com indicações de eventos extremos no início do próximo ano, Maria da Graça Carvalho frisou que "há muita cautela" a ter.
"O que eu quero dizer é que se aproximam tempos difíceis, nunca foram fáceis desde que estamos no Governo. Esta guerra ou instabilidade internacional é a sexta crise que estamos a enfrentar em dois anos e vamos continuar, porque há muitas coisas que se conjugam e que se ligam com a energia em geral e com a água, mas estamos muito cientes, preocupados e vigilantes em relação a todos estes fenómenos", concluiu.






