
“Tondela é um território empreendedor, dinâmico e de inúmeras oportunidades”
Decorreu hoje, no Auditório Municipal de Tondela, a sessão evocativa do feriado municipal, momento presidido pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro. Na mesa de honra, estiveram ainda Carla Antunes Borges, presidente do Município de Tondela, Cristiana Ferreira, presidente da Assembleia Municipal, e Sérgio Sousa, presidente da União de Freguesias de Tondela e Nandufe.
Como o Diário de Viseu já tinha dado conta, na cerimónia foram homenageadas seis personalidades e uma associação. António Leitão Amaro, António Ferraz, Celeste Nápoles e António Moreira Marques receberam a Medalha Municipal de Mérito; José Valle e Figueiredo e Adelino Coimbra Augusto (a título póstumo) foram distinguidos com a Medalha Municipal de Valor e Altruísmo; e a ACERT recebeu a Medalha de Ouro da Cidade de Tondela.
A presidente do município, Carla Antunes Borges, exortou o território, as suas potencialidades e as suas gentes, fazendo questão de realçar que “o município somos todos nós”.
“Esta é uma sessão solene profundamente emotiva, em que queremos dignificar o trabalho que aqui é feito. É um momento em que Tondela se assume como um território forte, dinâmico e empreendedor, de inúmeras oportunidades, mas também solidário e criativo”, enfatizou.
A autarca enalteceu o currículo e as histórias de vida dos homenageados, tecendo rasgados elogios ao papel que tiveram, ao longo dos anos, no desenvolvimento do território, deixando uma marca indelével na comunidade tondelense. Falou igualmente do 103.º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Tondela, comemorados no mesmo dia, e da homenagem que foi prestada às duas corporações de bombeiros do concelho em virtude do seu empenho, dedicação e competência no combate ao incêndio em São João de Monte, no início de julho.



“Atribuímos nesta cerimónia galardões municipais a personalidades e entidades que, pelo seu percurso marcante, mereceram tal distinção. Esta sessão solene dignifica o vosso percurso de vida, como parte integrante da nossa história, da nossa matriz, e é uma motivação e um exemplo a seguir”, referiu.
Homenagem póstuma a antigo comandante
Particularmente emotiva foi a entrega da Medalha Municipal de Valor e Altruísmo, a título póstumo, ao antigo comandante dos Bombeiros Voluntários de Tondela, Adelino Coimbra Augusto. Os seus filhos Carlos e Rui, também bombeiros, subiram ao palco do auditório e a plateia aplaudiu, em pé, a homenagem, bem como o discurso de improviso que se seguiu, onde se louvou a vida de alguém que tudo deu de si em nome da comunidade e da sua segurança.
“O comandante Adelino é um exemplo de perseverança, altruísmo, e abnegação. Estava sempre na linha da frente e era um combatente que venceu muitos desafios. Tinha um amor à causa dos bombeiros e uma capacidade imensa de passar esse amor para os seus filhos e netos. É esse legado que queremos honrar com esta medalha”, sublinhou a autarca.
Sobre António Leitão Amaro, salientou que é “um filho da terra, nascido e criado, e que nunca se esqueceu de Tondela. Queremos agradecer-lhe tudo aquilo que fez, que faz e continuará a fazer pelo nosso concelho”. Agradeceu-lhe também o investimento de milhões que está a ser feito no IP3, “que irá salvar muitas vidas”.
Já sobre a ACERT, Carla Antunes Borges agradeceu “por nos fazerem olhar para a cultura como algo importante do nosso ser e como um elemento que nos distingue e nos faz crescer. Obrigada por nos fazerem sonhar e por alimentarem a nossa alma, nomeadamente com o magnífico espetáculo “Voar no Tempo”, de elevada qualidade artística, que abriu a 32.ª edição da FICTON”.
Em relação aos restantes homenageados, a autarca vincou a “dedicação e a defesa intransigente dos antigos combatentes” de António Ferraz; elogiou a carreira de autarca e empresário prestigiado de António Moreira Marques; o “exemplo de mulher e daquilo que se consegue construir numa vida, ao longo dos tempos, quando se tem amor, pela família, pela terra, pelo linho e pelo próximo”, referindo-se a Celeste Nápoles; e por último do amigo José Valle e Figueiredo, “que defende o nosso legado histórico”.
Outro dos grandes momentos da tarde foi o discurso de José Rui Martins, da ACERT, que colocou o dedo em muitas feridas em matéria de apoios a cultura no nosso país. No final, foi ovacionado em pé, assim como o jovem Serafim, que leu um brilhante texto da sua autoria sobre a associação.
“Aproveitem-me enquanto tiver alguma responsabilidade”
Na sua intervenção, António Leitão Amaro confessou o seu “enorme orgulho e apreço” por tudo aquilo “que Tondela me deu ao crescer”, agradecendo a atribuição da medalha e o facto de ser reconhecido pelos “seus concidadãos”.
“É como dizia o José Rui sobre a riqueza e os bens materiais, isso é tudo secundário. O mais importante é o que nós somos. E as pessoas da nossa terra, que nos ajudam a ser melhores numa terra como esta, também são aquelas que nos conhecem, independentemente do título que tivermos em cada momento, porque os títulos passam todos”, sustentou.
O ministro fez questão de citar quatro pessoas que o marcaram como “exemplo para a vida”. Em primeiro lugar, a sua mãe, Marina Leitão Amaro, “um exemplo da máxima integridade que alguém deve ter no serviço público”. Em segundo lugar, Carlos Marta, “o exemplo principal de um visionário que transforma, porque um presidente de câmara deve ser o líder da transformação”. Destacou ainda mais dois autarcas, Rui Santos e Vera Machado, “que demonstram uma abnegação total à sua terra, um sentido crítico e um espírito democrático, mesmo quando divergimos puxamos é por Tondela e creio que são dois exemplos da nossa responsabilidade cívica”.
O membro do Governo falou dos vários investimentos que estão neste momento a ser efetuados no distrito de Viseu, citando o caso do IP3 e o facto de, na altura em que chegou ao Governo “estar tudo parado”.
“Mas a autoestrada vai chegar a Coimbra, mas também a Lisboa e ao Porto, em perfil de autoestrada, de Santa Comba Dão à Aguieira, da Aguieira a Penacova e de lá à autoestrada”, acrescentou.
Abordou ainda o investimento de 35 milhões de euros que está a ser realizado no Hospital de Viseu. Destacou que, em relação ao novo Centro de Saúde de Tondela, “tem de acontecer uma nova solução aqui”, depois de o projeto ter “ganho dificuldades físicas e de engenharia que o atiraram para fora do PRR”.
A concluir, António Leitão Amaro asseverou que “Tondela é a minha terra, esteja aqui, em Lisboa ou no outro lado do mundo, esta é e será sempre a minha terra”. Dessa forma, deixou uma espécie de repto ao dizer “aproveitem-me enquanto eu tiver alguma responsabilidade ou possa ajudar, e procurarei sempre devolver o que puder à minha terra”, concluiu o membro do Governo.









