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Mural da ‘Ferreirinha da Régua’ quer inspirar à resiliência no Douro em crise

A imagem de D. Antónia Adelaide Ferreira foi pintada na fachada de um prédio para homenagear a histórica 'Ferreirinha da Régua' e inspirar à resiliência num momento em que os viticultores e o Douro atravessam uma crise.

“A D. Antónia foi alguém que, durante o seu percurso de vida, passou por muitas vicissitudes, apanhou muitas das crises do Douro e a filoxera eventualmente será o expoente máximo e, neste momento, em função daquilo que estamos a passar, é bom que nos inspiremos na sua resiliência, na forma como nunca abaixou os braços”, afirmou hoje à agência Lusa José Manuel Gonçalves, presidente da Câmara do Peso da Régua, distrito de Vila Real.

Antónia Adelaide Ferreira viveu no século XIX, ficou conhecida como a ‘Ferreirinha da Régua’ e dedicou a sua vida à cultura da vinha e à produção de vinho na Região Demarcada do Douro (RDD).

Agora, a sua imagem ocupa toda a fachada de um prédio, no bairro das Alagoas.

Pintado pelo artista António Conceição, este mural dá também o início ao projeto Roteiro de Arte que o município quer espalhar pela cidade e chegar às freguesias, com mais murais, esculturas, entre outros, transformando-os em pontos de atração turística.

“Os durienses têm esse espírito de serem resilientes, persistentes, e estou convencido que ela [D. Antónia] vai ser uma inspiração para podermos ultrapassar esta fase que, claramente, é negativa”, afirmou o autarca.

A crise no Douro agravou-se nesta vindima, com viticultores a queixarem-se de não terem compradores para as uvas, outros a conseguirem escoar apenas a produção destinada ao benefício – quantidade de mosto que cada produtor pode destinar à produção de vinho do Porto, e a criticarem ainda o baixo preço pago pela uva.

Os operadores apontam para as quebras nas vendas de vinhos.

José Manuel Gonçalves disse que o apoio anunciado sexta-feira pelo Governo, de 12 milhões de euros para ajudar os viticultores que não consigam escoar a uva, é “um passo para mitigar o problema que já existe”.

“Este ano houve uma preocupação de concentrar a medida mais diretamente no produtor e não na cadeia em si (…). É evidente que não é esta medida que, para o futuro, agrada ao Governo, nem nos agrada a nós, não são incentivos e compensações para que as uvas fiquem nas videiras, eu acho que isso é o maior atentado que se pode fazer. Essa foi uma solução do recurso”, afirmou.

O apoio, que poderá rondar os 50 cêntimos por quilo de uva, destina-se a quem não consegue vender a produção e não as entregue para vinificação, mas a forma como vai ser aplicado e quem pode usufruir serão conhecidos com a divulgação do diploma aprovado em Conselho de Ministros.

O autarca apontou ainda ao plano executivo para a gestão sustentável e valorização do setor vitivinícola da RDD, a concretizar até 2032, que foi entregue ao ministro da Agricultura em julho.

José Manuel Gonçalves fez parte, em representação da Comunidade Intermunicipal do Douro, da equipa que construiu o plano e explicou que inclui um conjunto de medidas articuladas e transversais a toda a cadeia que podem ajudar “à transformação do território”.

Disse ainda ser contra o arranque de vinha na RDD e defendeu que é preciso um mecanismo que elimine os excedentes, pelo que, dever-se-ia definir, de forma clara, o que se pretende produzir a cada ano.

Ou seja, concretizou, qual a autorização de produção para as Denominação de Origem Protegida (DOP) Porto e Douro, sendo o remanescente transformado em aguardente para incorporação no vinho de Porto.

O autarca defendeu ainda uma valorização do preço da uva, apontando para um valor de 1,3 euros por aquilo, num horizonte temporal de cinco anos, para não dar prejuízo ao produtor.

O apoio anunciado sexta-feira para a RDD foi justificado pelas especificidades do Património Mundial da UNESCO há 25 anos e onde o custo de produção é elevado.

Setembro 7, 2026 . 18:15

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