
Ministro da Agricultura apela a consenso para fundo solidariedade do Douro
Em declarações aos jornalistas em São João da Pesqueira, após a sessão de abertura da Vindouro, o governante realçou não só o apoio de 12 milhões de euros para os viticultores de Douro que não consigam escoar a sua produção agrícola, mas também este fundo de solidariedade.
"Para além de todas as medidas estruturantes que já avançámos, temos uma que exige o consenso do território e que foi aprovada", afirmou, acrescentando que, "felizmente, há bons avanços, quer do comércio, quer da produção, para este entendimento".
Segundo José Manuel Fernandes, trata-se de um fundo de solidariedade "com contribuições da própria região", havendo a possibilidade de ser criada "uma taxa de sustentabilidade ambiental".
"Pode ser uma taxa turística, para que esse fundo, em caso de necessidade, seja gerido pela própria região e utilizado", sublinhou.
Enquanto discursava na sessão de abertura da Vindouro, o ministro ouviu frases de protesto e insultos de viticultores que se apresentaram vestidos com camisolas brancas com a inscrição "Vinho do Porto é com aguardente do Douro".
"Isto é o património da desumanidade" e "és um aldrabão, vai-te embora", foram algumas das frases ditas pelos produtores.
José Manuel Fernandes afirmou aos jornalistas entender "muito bem" os protestos: "quando o produtor vende abaixo do custo ou não consegue vender, claro que há frustração".
"É uma situação que se foi acumulando. Nós começámos com medidas estruturais que neste momento ainda não são suficientes e avançamos para outras", frisou.
O governante admitiu que o apoio direto ao produtor "mesmo assim não cobre os custos todos que ele teve", mas é a ajuda que pode ser dada neste momento.
"Estes 12 milhões de euros têm em conta as especificidades do Douro, onde o custo do quilo da uva é muito maior", explicou, acrescentando que "o produtor não pode ser o perdedor na cadeia de valor, não pode ser o elo mais fraco, tem que ter rendimento".
Albano Fernandes, viticultor de Ervedosa do Douro, disse à agência Lusa que as medidas hoje anunciadas "são o mínimo que o Governo poderia fazer, mas não são suficientes".
"Esteve a falar de vinho do Porto. Onde é que está o vinho do Porto se fazemos vinho com dois terços de uvas de Espanha e um terço do Douro?", questionou.
Joaquim Monteiro confrontou diretamente o ministro no final dos discursos e perguntou-lhe se sabe "quantos camiões espanhóis andam a circular esta semana na Pesqueira".
"Sejam sérios para com o Douro, por favor. Estão-nos a atirar para a miséria", lamentou o também produtor de Ervedosa do Douro.








