
Congresso espanhol que ouvir Sánchez a 3 de setembro sobre crise em Ceuta
Sánchez solicitou hoje a comparência e propôs inicialmente que esta tivesse lugar em 09 de setembro, durante a primeira sessão plenária do período ordinário, mas a Mesa do Congresso (parlamento) decidiu antecipá-la em quase uma semana, segundo fontes parlamentares.
A data inicialmente proposta pelo chefe do Governo foi considerada demasiado tardia por vários partidos, incluindo formações que apoiaram a sua investidura.
O Partido Nacionalista Basco (PNV) defendeu que Sánchez deveria ter sido o primeiro membro do executivo a prestar explicações sobre a crise e transmitiu ao Governo que a comparência deveria ocorrer “de imediato e numa sessão plenária extraordinária”.
Também o Juntos pela Catalunha (Junts) criticou que o primeiro-ministro demorasse mais de um mês desde o início da crise migratória na cidade autónoma espanhola, localizada no norte de África, a dar explicações no parlamento, enquanto o Podemos classificou como “deplorável” a intenção inicial de esperar até 09 de setembro.
A líder do Podemos, Ione Belarra, considerou que Sánchez deveria ter interrompido as férias devido à crise, posição semelhante à do deputado do Compromís integrado no grupo parlamentar do Somar (parceiro dos socialistas na coligação que está no Governo espanhol), Alberto Ibáñez, que considerou a comparência “demasiado tardia”.
A porta-voz parlamentar do Somar, Verónica Martínez Barbero, não contestou, contudo, nenhuma das duas datas propostas, considerando que o essencial é que Sánchez compareça perante os deputados.
O Partido Popular (PP, direita), principal força da oposição, recordou que vinha a exigir há semanas a presença do primeiro-ministro no Congresso.
“Ele virá no dia 03 e terá de dar muitas explicações”, afirmou a porta-voz parlamentar do PP, Ester Muñoz.
Muñoz e a porta-voz do Vox (extrema-direita), Pepa Millán, criticaram ainda Sánchez por não ter interrompido as férias, fazendo referência a notícias segundo as quais o primeiro-ministro viajou para Andorra após a reunião do Conselho de Ministros de terça-feira.
Millán afirmou que o Vox não espera “nada” da comparência de Sánchez, a quem acusou de estar a “abandonar o povo de Ceuta”.
O pedido de comparência foi apresentado pelo Governo poucas horas antes de a Deputação Permanente do Congresso, responsável pela atividade parlamentar fora do período ordinário de sessões, debater os pedidos apresentados pelo PP durante o verão para que Sánchez e vários ministros comparecessem com urgência.
A antecipação para 03 de setembro evita também que a comparência coincida com a presença já prevista no Congresso, em 09 de setembro, da terceira vice-presidente e ministra da Transição Ecológica, Sara Aagesen.
No final de julho, cerca de 72.000 pessoas entraram ilegalmente na cidade autónoma espanhola de Ceuta num período de 24 horas, 70.000 das quais já regressaram a Marrocos, segundo dados das autoridades espanholas.
Quase um mês depois, continuam a não existir dados exatos sobre o número global dos migrantes que ainda permanecem em Ceuta, com algumas estimativas a apontarem para até oito mil migrantes, incluindo menores e jovens.
Na segunda-feira, as autoridades informaram ter identificado mais de 2.900 migrantes menores em Ceuta.








