
Auditório e centro interpretativo vão ser uma realidade em Penalva do Castelo
Sempre festejou o 25 de agosto como munícipe. Qual é a sensação de estar agora a assinalar o Dia do Município como presidente de Penalva do Castelo?
O feriado municipal, as festas da vila, sempre foram, para mim, há quase 62 anos que estou aqui, que sempre as festejei, um local de encontro dos nossos imigrantes, daqueles que se encontram em Lisboa, que se encontram no país. E a data é mais propícia, é o 25 de Agosto. É nesta data em que todos se encontram em Penalva do Castelo, em que se reúnem os amigos, os amigos que andaram connosco na escola, os familiares, e portanto as pessoas habitualmente marcam férias nesta altura para virem à vila. Para mim, as festas do concelho são uma época de celebração, de encontro, de convívio, e portanto, no fundo, agora como o presidente da câmara, irei celebrá-las da mesma forma, com mais responsabilidade, com a responsabilidade de que tudo corra bem em termos de segurança. Portanto, essa é a única coisa que vai mudar, vai aumentar a minha responsabilidade para que tudo corra bem. O local das festas vai continuar a ser aqui junto à câmara, porque nós temos que nos habituar a ouvir os penalvenses e desde que a festa foi mudada para aqui, e até a feira semanal agora funciona aqui, todos reconhecem que este é o lugar ideal para as festas, pela sua abertura, pela fonte dos namorados, que embeleza e dá frescura ao local, e por ser um espaço enorme, em que se pode entrar na festa de vários acessos, sem aglomeração de pessoas.
Amanhã, no último dia das festas, a banda musical da vila vai ter um papel preponderante no palco principal, ao lado do cantor FF. É importante dar visibilidade nestes eventos à “prata da casa”?
O dia 25 vai ser um dia muito especial para Penalva do Castelo. Primeiro, porque vamos ter pela primeira vez a banda musical, mais os alunos do conservatório, que são, entre a banda e os alunos, 76 pessoas em palco, todos penalvenses, a grande maioria com menos de 25 anos e que irão servir de banda de apoio ao FF, um artista da renome nacional. Acho que isto é um orgulho para todos os penalvenses e, acima de tudo, demonstra que o investimento que fizemos na formação, no ensino articulado, desde 2018, em todos os alunos, tem dado frutos. Começou em 2018 com 18 alunos e no ano passado eram 67. E irá aumentar para 75 para o ano. Todos os anos aumenta o número de alunos e quanto mais alunos há, maior o investimento. A banda é composta, essencialmente, por jovens que nasceram no ensino articulado. Há jovens que já estão a seguir carreiras no ensino superior, que vieram do ensino articulado. E há um dado que é muito importante também. Segundo o agrupamento de escolas, os alunos que entram para o ensino articulado da música melhoram as notas também, nas outras disciplinas, o que é bastante importante. Isso também é uma forma de enaltecer a banda, que tem mais de 200 anos já, e que este ano vai poder acompanhar um artista nacional. Mas além da banda também temos vários grupos do concelho no nosso cartaz, como é habitual.
“O investimento que temos feito na formação de músicos tem dado frutos. Em 2018, havia 18 alunos; para o ano serão 75. Todos os anos o número sobe”
A aposta na Feira do Vinho do Dão de Penalva também veio para ficar?
Nós queremos dar outra notoriedade e projeção ao vinho do Dão. Esta é a festa do vinho do Dão. É um dia que nós entendemos também que todos aqueles que produzem as uvas, todos os nossos produtores engarrafadores, nós encontramos é uma oportunidade também de negócio para eles, em conjunto com o Mercado Rural, as pessoas que têm produtos agrícolas e vêm vendê-los nesse dia. Mas o vinho é a maior alavanca económica deste concelho e nós pretendemos, em conjunto com outros municípios da região, apresentar uma candidatura a Cidade do Vinho. E em 2029, se tudo correr bem, esperamos vir a ser Cidade Europeia do Vinho, num projeto ambicioso com outros municípios da nossa região, como foi feito no Douro e no Alentejo, através das suas CIM’s. Portanto, nós temos que conseguir um projeto da CIM e juntos apresentarmos a candidatura, com Nelas, Viseu, Mangualde, Tondela, Carregal do Sal, entre outros, para chegarmos a esse objetivo. Mas temos de estar unidos, porque entendo que será algo muito importante para o vinho Dão e para a sua afirmação nacional e internacional. Todos temos de defender e promover o Dão.
Um outro produto identitário do concelho é a maçã Bravo de Esmolfe. Já há data para a realização da feira deste ano?
Sim, será a 11 de outubro, domingo.
E há indicadores de como vai ser a produção deste ano?
A produção é excelente, é um ano de boa produção de maçã Bravo de Esmolfe e, portanto, a feira da maçã pretende também dar cada vez mais notoriedade à maçã, sendo Esmolfe o seu berço. Vai proporcionar a todos os produtores um dia diferente, porque o preço que eles conseguem vender na feira é muito superior ao que entregam às cooperativas ou aos agentes comerciais.
Presidente penalvense pretende avançar com uma candidatura à Cidade Europeia do Vinho, ao lado de outros municípios da CIM Viseu Dão Lafões
Penalva do Castelo foi o primeiro concelho da CIM Viseu Dão Lafões a marcar presença na Feira de São Mateus deste ano. Entende que a CIM é um parceiro estratégico na promoção e desenvolvimento turístico do concelho?
Sim, todos nós percebemos, essa também é a minha visão, 14 são mais fortes do que 1. Temos nós concelhos diferentes, produtos diferentes, políticas diferentes, mas acho que todos juntos conseguimos ganhar escala, conseguimos ganhar a dimensão e conseguimos projetar-nos muito mais facilmente e chegar a um mercado muito mais vasto. Penso que nós, através da CIM, conseguimos promover mais o território, os nossos produtos e conseguimos também ganhar a escala. Muitas vezes até, e isto é muito fácil de perceber, comprar um produto eu sozinho ou comprarmos 14 juntos, certamente conseguiremos outro preço. E esta é a grande vantagem da CIM, a termos uma política de união, sermos cada um autónomos no nosso território, mas juntos para promover o que cada um tem de melhor nos seus concelhos. A presença na feira foi mais um excelente oportunidade de evidenciar o que temos de melhor num evento com milhares de pessoas. O stand estava muito bonito, funcional, num ponto estratégico, numa entrada principal da feira, e penso que será um projeto para continuar, com a adesão dos 14 municípios.
Além do reforço dos apoios à natalidade, para fixar famílias, que apoios estão previstos este ano para os alunos que queiram ingressar no ensino superior?
Em termos de apoios ao ensino superior, a câmara vai este ano atribuir. pela primeira vez. um apoio de 1500 euros por cada aluno que entrar no ensino superior ou privado. Cada aluno com residência no concelho vai ter acesso a esse apoio, que representará um investimento para a câmara de cerca de 90 mil euros.
Em que ponto está o projeto do centro interpretativo do Mosteiro do Santo Sepulcro?
Precisa de ser apetrechado. O mosteiro precisa de ser equipado. A capela precisa de ser equipada. Ou seja, ainda faltam verbas, até para a zona envolvente. Temos um projeto já metido no Turismo de Portugal desde o dia 7 de maio e que aguardamos que seja aprovado agora na primeira quinzena de setembro. O mosteiro é monumento nacional, é o único monumento nacional do concelho de Penalva do Castelo. E, portanto, aguardamos também, nesta candidatura ao turismo, temos um percurso cultural entre a Ponte Medieval de Trancozelos e o mosteiro, para valorizarmos ainda mais aquele espaço e atrair cada vez mais turistas ao concelho. Em novembro, a Ordem do Santo Sepulcro vai lá realizar uma missa com 150 pessoas e um evento no concelho. E, portanto, isto será, certamente, uma grande alavanca para a restauração, para a hotelaria, para o comércio local.
Outra grande alavanca será o Auditório Municipal, do qual já existe projeto...
Vamos candidatar-nos, no final deste mês, ao Portugal 2030, onde já temos uma verba inscrita, para o Centro Interpretativo da Cultura e Memória Penalvense e Auditório Municipal. Vamos recuperar uma casa de 1920, conhecida como “Casa dos Brasileiros”. O edifício é da câmara desde 11 de junho, já está registado, já fizemos o concurso público para o projeto. Será uma mais-valia, uma oferta cultural para os penalvenses. A casa será requalificada exatamente conforme está. E naquela casa funcionará o Centro Interpretativo da Cultura e Memória Penalvense, onde cada sala terá um tema, cada sala terá um nome e onde será ali colocado tudo o que é a história do concelho, seja do desporto, da música, da cultura, da câmara, o nosso passado e o património. E o auditório será para a realização de espetáculos.
E quanto vai custar esse projeto?
Isto vai custar cerca de 2 milhões e meio de euros. Mas nós neste momento só temos 850 mil euros garantidos. Portanto, vamos meter a candidatura e vamos esperar. Mas vai ser uma realidade.
Câmara decidiu requalificar a antiga “Casa dos Brasileiros”, de 1920, para lá instalar o Centro Interpretativo da Cultura e Memória Penalvense
E em que ponto estão os projetos que transitaram no mandato anterior?
A requalificação do pavilhão municipal da escola já está aprovada a 85% de um valor de 345 mil euros. A obra está adjudicada e os trabalhos arrancam em breve. A requalificação total da escola básica e secundária, que tem 42 anos, já está submetida, no valor de 2,4 milhões de euros. Já está submetida porque o agrupamento de escolas tem 41 anos e nunca foi efetuada qualquer obra de beneficiação. Além disso, temos uma candidatura no Fundo Ambiental para a recuperação total do rio Dão. Temos 13 açudes feitos e faltam fazer nove. E agora metemos uma candidatura para esses nove, mais a limpeza da galeria ripicola e para o desassoreamento. E portanto, independentemente de ficarmos sem a gestão da água ou não, porque também, nós quando requalificamos açudes não tem a ver só com o abastecimento da água. São importantíssimos para o turismo, são importantíssimos para a qualidade da água, para o abastecimento. Nós só poderemos fazer uma praia fluvial no Vais se tivermos mais água a montante, para termos caudal suficiente. Não podemos correr esse risco. Quem faz um investimento de 700 mil euros numa praia e depois não tem água de qualidade…
Em janeiro, disse que a sua meta era tornar o concelho totalmente autónomo ao nível do sistema de água. Essa ambição ainda é possível?
Manter o concelho autónomo é possível, é para isso que trabalhos todos os dias na requalificação dos açudes. Mas, como se sabe, estão a decorrer negociações com a Águas do Douro e Paiva, à qual por decreto-lei os municípios estão obrigados a aderir, e que termina o prazo no dia 4 de outubro para os municípios pronunciarem se entram ou se não entram. Nós temos um problema porque nós estamos lá dentro, nós temos 3% na ETA de Fagilde, e até hoje foram apresentados vários tipos de negociação, valorização do nosso equipamento, porque ao cedermos a alta toda, como as Águas do Douro e Paiva querem, nós teremos que ser recompensados pelos ativos que vamos ceder às Águas do Douro e Paiva por um período de 20 anos. Esses ativos incluem duas ETAR’s, incluindo todo o sistema, o R1, o R2, o R3, o R4, o R5, que são as principais estações de bombagem. Uma das ETAR’s está a entrar em funcionamento agora, totalmente nova, mais as condutas desde Nesprido até chegar ao concelho de Penalva do Castelo. Como já disse, se a entrada no sistema for trocar os SMAS de Viseu pela Águas do Douro e Paiva até Nesprido, estamos à vontade para o fazer e não será um problema para o sistema, estamos todos também numa lógica de coesão e estamos cá para entrar. Naquilo que os penalvenses construíram e que pagaram ao longo destes, pelo menos, 12 anos, e que foi pago com o dinheiro dos penalvenses e com algumas candidaturas que fizemos, teremos que ter uma análise mais rigorosa, teremos que ponderar entre os prós e os contras e depois decidir e isso tem de ser até ao dia 4 de outubro. Se nós não aderirmos às Águas do Douro e Paiva, o decreto-lei diz que nós não podemos ficar como clientes. Portanto, sinto que estamos a ser empurrados para isso, o termo é mesmo esse.
“O concelho terá de ser devidamente recompensado pelos ativos que vamos ceder às Águas do Douro e Paiva por um período de vinte anos”
Mas com a requalificação dos açudes o concelho ficaria autónomo?
Penalva do Castelo fez um investimento ao longo de 12 anos, dotou o concelho de infraestruturas e com mais três ou quatro açudes construídos ficaríamos totalmente autónomos. Mas é uma decisão que temos que tomar, mas é uma decisão que temos que tomar condicionada pela imposição de um decreto-lei de 2025. Vamos rebater todos os argumentos para fazer o melhor negócio para os penalvenses. O único fator de equação aqui são os penalvenses, porque foi para isso que nós fomos eleitos, foi para defender os interesses dos penalvenses e do concelho e faremos até ao último dia.
Depois de 10 meses à frente da câmara, continua a entender que não é um presidente de gabinete?
Continuo a achar que não sou um presidente de gabinete. E vou justificar. Obviamente que não somos nós que dizemos se estamos a trabalhar bem ou se estamos a trabalhar mal. Essa avaliação é dos penalvenses. Agora, posso-lhe dizer que estou muitas vezes neste gabinete às 6h30 da manhã, quase todos os dias. Depois, durante o dia, vou onde tenho que ir porque sempre foi a minha maneira de ser e a minha maneira de estar, ir ao local para resolver os assuntos. Desloco-me muito, conforme muita frequência, às entidades onde eu sei que tenho que resolver os problemas. Ainda há pouco tempo fui a Lisboa para resolver questões nos CTT, no IRN, para resolver problemas que os penalvenses se queixam. Mas continuo exatamente com essa forma de atuar. Estarei aqui sempre que for preciso para receber os penalvenses. São dias muito longos. Não interprete isto como uma queixa. Eu gosto daquilo que faço, portanto, como gosto daquilo que faço, as 12 ou 14 horas para mim não tem qualquer problema, porque eu entendo que é a minha forma de atuar. Entendo que devemos delegar, sim, mas há situações em que temos mesmo de ir ao terreno para se ter uma visão mais fidedigna e real do problema a resolver. E garanto que indo eu ao local, como fui recentemente a Sezures, é muito mais fácil de resolver os problemas. Nunca terei problema em ouvir seja quem for, em estar e em dar a cara, sou assim, vou e tento resolver. E acho que vou tentar chegar assim até ao fim, se tiver energia para tal.
“Vamos tentar resolver os problemas de habitação em Penalva do Castelo”
O que está a ser feito para contornar os problemas de habitação no concelho?
Penalva do Castelo tem problemas de habitação, não há casas sequer para arrendar e a câmara decidiu que numa série de terrenos que tinha por aí, aliás a mudança da feira semanal, que agora ocorre aqui junto aos Paços do Concelho, surge desse preocupação, porque esse espaço vai ser loteado para venda a casais jovens para primeira habitação. Não vamos construir as casas, vamos colocar os lotes à venda com projeto aprovado para casais jovens poderem construir a sua primeira habitação a preços acessíveis. Vão ser construídos 38 lotes infraestruturados com projeto aprovado. Esse já está em andamento. Depois também toda esta zona da Cabral, na próxima semana o engenheiro virá trazer o loteamento feito, porque isto fisicamente está feito, só que continuam como terrenos rústicos, tal como a câmara os comprou em 1978 e 1986 e continuam assim. Vamos loteá-los, mas estes a preço de mercado. Também temos um edifício junto ao Novo Banco, que irá ser vendido o terreno em hasta pública muito em breve, que terá três valências, serviços, comércio e habitação.
Depois vamos também vender mais dois lotes na zona da Moita que estavam por concluir e que já estão loteados e também mais dois nas Barrocas, que tem sido uma luta terrível pela dificuldade que temos tido na legalização dos terrenos, mas estamos a trabalhar para isso, para colocar no mercado todos os terrenos que a CM tem disponíveis.








