
Seniores do Centro Social Paroquial de Rio de Loba estreiam-se em festival de metal
Nunca é tarde para viver novas experiências, desafiar preconceitos e sair da zona de conforto. Foi precisamente isso que aconteceu com um grupo de seniores do Centro Social Paroquial de Rio de Loba, que no sábado, 22 de agosto, trocou, por uma noite, a tranquilidade do seu quotidiano pela energia intensa do Festival Milagre Metaleiro, realizado em Pindelo dos Milagres.
Com idades compreendidas entre os 65 e os 93 anos, nenhuma das participantes tinha, até então, assistido a um festival de música metal. A curiosidade, a vontade de conhecer algo diferente e, acima de tudo, o espírito de aventura levaram estas mulheres a aceitar o desafio. Entre o som das guitarras, a força da bateria e o ambiente vibrante vivido no recinto, não faltaram sorrisos, dança, surpresa e momentos de grande diversão. Para muitas, aquilo que inicialmente poderia parecer uma experiência completamente fora da sua realidade transformou-se numa noite inesquecível.
Aos 93 anos, Filomena Mesquita foi uma das participantes mais entusiasmadas. Visivelmente maravilhada com o ambiente e com a música, revelou ter ficado muito feliz com a oportunidade de viver uma experiência completamente nova, admitindo mesmo a vontade de regressar numa próxima edição. Para D.ª Filomena, a ideia partiu da Educadora Social Vanda Rodrigues, carinhosamente tratada por «Vandinha». Vanda Rodrigues, Educadora Social e Diretora Técnica do Centro de Dia e do Serviço de Apoio Domiciliário do Centro Social Paroquial de Rio de Loba, foi a responsável pela ideia de levar este grupo de utentes a um festival de metal.
Conhecida pela sua forma criativa de idealizar e dinamizar atividades, é também reconhecida pelas chamadas «ideias fora da caixa» e pelo gosto em desafiar os utentes a experimentar novas realidades. Para a profissional, proporcionar novas experiências é uma parte essencial do trabalho desenvolvido com a população mais velha. A idade não deve ser encarada como uma limitação e, havendo vontade, criatividade e disponibilidade, é possível criar oportunidades para que os utentes continuem a descobrir, experimentar e viver novas experiências.
A iniciativa pretendeu proporcionar novas vivências e demonstrar que a idade não deve ser encarada como um limite à participação, à descoberta e à diversão. Afinal, envelhecer não significa deixar de experimentar, de sentir entusiasmo ou de criar novas memórias.
Vanda Rodrigues defende ainda que desafiar o quotidiano e aquilo que está normalizado é uma forma de acrescentar qualidade ao serviço prestado à comunidade mais velha. A criação de novas experiências permite não só quebrar rotinas, mas também criar memórias significativas, reforçar a participação e promover um envelhecimento mais ativo e feliz.
A iniciativa só foi possível graças à colaboraçãoda organização do Milagre Metaleiro - Associação Cultural que se mostrou disponível desde o primeiro momento em que a ideia foi apresentada, contribuindo decisivamente para que esta experiência pudesse acontecer. A equipa do Centro Social Paroquial de Rio de Loba envolvida na atividade destaca a forma como a organização do festival acolheu o grupo e proporcionou todas as condições para que a noite se tornasse verdadeiramente especial.
O agradecimento estende-se igualmente a toda a equipa da instituição que participou na concretização da iniciativa, num trabalho conjunto que permitiu transformar uma ideia pouco convencional numa experiência memorável. A presença deste grupo no Milagre Metaleiro acabou também por surpreender muitos dos participantes do festival, numa verdadeira demonstração de que a música pode unir gerações e quebrar barreiras.
Para estas mulheres, foi a primeira experiência num festival de metal. Mas, depois dos sorrisos, da animação e da surpresa vividos em Pindelo dos Milagres, uma coisa parece certa: nunca é tarde para fazer algo pela primeira vez. A iniciativa do Centro Social Paroquial de Rio de Loba procurou, assim, reforçar a importância de uma intervenção social que promova um envelhecimento ativo, participativo e feliz, criando oportunidades para que cada pessoa continue a descobrir novos interesses e a viver experiências significativas, independentemente da idade. E, depois desta estreia, talvez seja seguro dizer que Rio de Loba ganhou um novo grupo de «metaleiras», já com vontade de repetir a aventura.








