
Migrantes voltam a ocupar praia de Ceuta após trabalhos de limpeza
Centenas de migrantes voltaram hoje a ocupar a praia de El Trampolín, em Ceuta, após a evacuação da zona para a realização de trabalhos de limpeza.
Logo pela manhã, os migrantes foram agrupados entre um quebra-mar e o muro da Estação de Dessalinização de Ceuta, segundo relatou a agência espanhola Europa Presse.
Entretanto, os trabalhadores de limpeza começaram a chegar ao local para limpar a área.
A condição imposta pela cidade autónoma espanhola na quinta-feira para que a praia fosse limpa era, precisamente, a saída dos migrantes da área para garantir a segurança dos trabalhadores.
Enquanto os funcionários, escoltados pela polícia, trabalhavam na limpeza e os imigrantes que tinham passado a noite em El Trampolín aguardavam numa zona específica, começaram a chegar outros imigrantes que, em muitos casos, transportavam sacos de comida previamente entregues pelas diversas organizações não-governamentais (ONG) que trabalham no terreno com os coletivos de imigrantes.
Segundo os porta-vozes de organizações citados pela agência de notícias Europa Press, os imigrantes permanecerão em El Trampolín enquanto não tiverem outro local onde passar a noite.
No final da manhã, os imigrantes voltaram a ocupar a praia, uma vez concluídas as tarefas de limpeza e desinfeção da mesma.
Muitos chegaram com tendas já montadas, enquanto outros voltaram a montar estruturas improvisadas com diversos materiais que encontraram na zona.
Na quinta-feira, a operação de limpeza na praia de El Trampolín, em Ceuta, ficou suspensa após dezenas das pessoas que tinham sido transferidas do acampamento improvisado terem regressado ao local para recolher os seus pertences.
Os serviços da Direção-Geral do Ambiente, Serviços Urbanos e Habitação espanhola tinham dado início, a meio da manhã de quinta-feira, aos trabalhos de remoção de resíduos, bens pessoais, caixotes, cartão e outros materiais acumulados durante as últimas semanas de ocupação da praia.
O regresso destas pessoas obrigou a interromper os trabalhos por motivos de segurança, uma vez que não há presença das forças de segurança no local que permita garantir a integridade dos trabalhadores e o normal desenrolar da operação, segundo as autoridades espanholas.
A cidade autónoma indicou que os trabalhos não poderão ser retomados até que estejam reunidas as condições necessárias para executar a operação com as devidas garantias de segurança para os trabalhadores encarregados da limpeza.
A paralisação ocorre poucas horas após a desocupação de El Trampolín, onde mais de 1.200 migrantes foram transportados a pé e escoltados pela polícia espanhola para os novos centros de acolhimento temporários habilitados em Loma Margarita, El Embolsamiento e em Loma Colmenar.
A cidade tinha posto em marcha o plano de limpeza com o objetivo de restabelecer as condições ambientais, paisagísticas, sanitárias e de utilização por parte dos cidadãos deste espaço costeiro, ocupado desde a chegada em massa de pessoas a Ceuta, registada nos dias 30 e 31 de julho.
A crise migratória em Ceuta ocorreu quando cerca de 72.000 pessoas entraram na cidade autónoma espanhola, situada no norte de África, num período de 24 horas.
Destas, cerca de 70.000 já regressaram a Marrocos, segundo dados das autoridades espanholas.
No início de agosto, estimava-se que entre três mil e cinco mil migrantes, incluindo menores e jovens, permaneciam no enclave espanhol de Ceuta.
Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.








