
Retirados cerca de 20 mil camiões de madeira dos terrenos afetados pela Kristin
“Cerca de 20 mil camiões” de madeira foram já retirados dos terrenos afetados pela tempestade Kristin, ocorrida no final de janeiro, revelou hoje, na Batalha, o ministro da Agricultura e do Mar.
“Já retirámos, segundo as contas que estão feitas, em termos de madeira deste território, com os privados e com todos, cerca de um milhão de metros cúbicos de madeira. Isso significa cerca de 20 mil camiões de madeira. Mas ainda há muito trabalho a fazer”, disse José Manuel Fernandes.
Após uma visita a um terreno cujo proprietário retirou cerca de três mil metros cúbicos de material lenhoso no concelho da Batalha, distrito de Leiria, o governante revelou ainda que foram já limpos “20 mil quilómetros”, o que “é um número impressionante”.
Dos 41 milhões de euros disponibilizados pelo Governo para os 26 municípios afetados pelas tempestades, nesta área, José Manuel Fernandes anunciou que estes territórios já receberam 70% desse montante, ou seja, 28 milhões de euros. “Já há trabalho que está a ser feito, pagando-se aos proprietários que retiram a sua madeira como forma de compensação, um máximo de 1.500 euros por hectare, com um limite máximo de 10.000 euros”, afirmou.
As candidaturas aprovadas vão desde “cerca de 100 mil euros em Ansião, nestes 70%, até 9,2 milhões de euros em Leiria, que é o concelho que tem mais recursos”.
“O que nós queremos é que usem rapidamente estes 28 milhões de euros, porque ainda há 13 milhões que estão à disposição para o trabalho que nós temos de realizar”, acrescentou o governante.
Além dos elogios aos autarcas, o ministro aplaudiu o “trabalho notável” do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.
“Os empresários também têm feito um trabalho notável: os madeireiros, os operadores têm feito um trabalho brutal. Temos máquinas de grande qualidade e tecnologia de topo mundial. Esse trabalho está a ser feito, mas há sempre limitações de mão-de-obra”, acrescentou.
O ministro pediu ainda rapidez na limpeza e na retirada de material lenhoso. Confrontado com a possibilidade de os processos demorarem vários anos, garantiu que a “ambição é fazer esse trabalho num espaço de tempo muito mais curto”.
“Se perguntassem às pessoas se num prazo tão curto tínhamos 26 operações integradas de gestão de paisagem nos 26 municípios com 28 milhões de euros na conta deles, os privados a serem envolvidos da forma que foram, um trabalho de parceria com as juntas de freguesia, 20 mil camiões de madeira, ou seja, um milhão de metros cúbicos que já saiu deste território, se calhar muita gente diria que era impossível”, anotou.
José Manuel Fernandes adiantou que a proatividade demonstrada pelos autarcas, como evidenciou a Batalha, “é essencial para se avançar agora para os terrenos dos proprietários que ainda não retiraram” o material lenhoso.
“Temos legislação para sermos nós a entrar [nos terrenos], retirarmos [madeira] e há recursos financeiros que estão nas câmaras municipais para esses objetivos”, informou, sublinhando que é preciso dar prioridade aos “sítios mais urgentes”, onde “há árvores que tombaram perto das casas e das zonas de maior perigo”.
Segundo o tutelar da pasta da Agricultura, “ainda há muita madeira a retirar em algumas destas zonas, mas também naquilo que tecnicamente se chama o interface urbano-rural”, onde o “risco é maior”.
O presidente da Câmara da Batalha, André Sousa, disse à Lusa que, das 138 candidaturas aos apoios para a retirada de material lenhoso, 98 foram aprovadas e 28 serão pagas a partir da próxima semana, relativamente a terrenos que já foram limpos. No total, a autarquia vai pagar cerca de 60 mil euros.
Os temporais que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, entre o final de janeiro e fevereiro deste ano – com destaque para a depressão Kristin -, causaram pelo menos 19 mortos e várias centenas de feridos, desalojados e deslocados, provocando a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
Os municípios das regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram os mais afetados.








