
Liga para a Proteção da Natureza pede ICNF atuante e rigoroso
"À margem daquilo que, para a LPN, foram graves irregularidades processuais e deliberações controversas, o que se destacou na etapa de 13 de agosto, perante todos os telespetadores, foi a capacidade que o ICNF demonstrou quando dispõe de pessoas, meios, presença no terreno e capacidade operacional. Foi notável o nível de mobilização, acompanhamento e resposta dos seus profissionais. É isto que precisamos do ICNF", refere a LPN, em comunicado.
A LPN lembra que, à semelhança de outras organizações de defesa do ambiente, defende "há anos este reforço dos recursos humanos, técnicos e logísticos da autoridade nacional de conservação da natureza, para que possa estar presente no território, acompanhar, prevenir e gerir efetivamente o património natural".
A 7.ª etapa da 87.ª edição da Volta a Portugal em bicicleta, que se realizou em 13 de agosto e atravessou o Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), gerou preocupação e críticas por parte de associações ambientalistas, que contestaram a passagem dos ciclistas, sobretudo pela Mata da Albergaria, concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga.
O ICNF autorizou a passagem da Volta pelo local, mas condicionada "a fortes medidas de proteção da biodiversidade", como a interdição ao público.
"A proteção de lugares como a Mata da Albergaria exige um ICNF forte, como aquele que no dia 13 de agosto vimos no terreno, mas também um ICNF capaz de tomar as decisões atempadas e firmes que melhor defendam os valores naturais que lhe compete proteger", apela a associação ambientalista.
A LPN entende que o desmantelamento dos Serviços Florestais em 1996 e a extinção do Corpo Nacional da Guarda Florestal em 2006, "cujas funções nunca chegaram a ser integralmente assumidas por entidades subsequentes, foram erros de política florestal e conservacionista cujas consequências são evidentes nos espaços rústicos portugueses".
"Se estes recursos tivessem continuado a atuar no dia-a-dia daquela área protegida, o Parque Nacional da Peneda-Gerês conseguiria compaginar muito mais eficazmente a conservação com a gestão florestal e o turismo de natureza", frisa esta associação.
A LPN reconhece que, apesar disso, "as condicionantes ambientais impostas pelo ICNF" para a passagem da Volta a Portugal em bicicleta pela Mata da Albergaria "foram escrupulosamente cumpridas pela organização, graças à presença no terreno dos quadros técnicos daquele instituto".
"É este o ICNF que queremos: presente, atuante, proativo, rigoroso", apela a LPN que, no entanto, reitera que "o bom resultado da operação não altera, contudo, a questão de fundo".
"O facto de a prova ter sido fiscalizada depois de aprovada in extremis não significa que devesse ter acontecido naquele lugar. O principal risco poderá estar menos no impacto concreto da passagem da prova e mais no precedente que uma decisão desta natureza pode criar, sendo que também essa veio do próprio ICNF", adverte a Liga para a Proteção da Natureza.
A 7.º etapa atravessou o coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a Mata da Albergaria, onde se encontram cerca de 15 quilómetros quadrados de bosque autóctone de carvalho-alvarinho excecionalmente bem preservado em todo o seu elenco florístico e faunístico.









