
Montenegro garante que auditoria à PJ visa credibilizar instituições
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou que a auditoria à Polícia Judiciária (PJ) tem como objetivo desfazer dúvidas e tirar "tudo a limpo", o que é fundamental para credibilizar as instituições.
À margem da inauguração da Loja do Cidadão de Fafe, no distrito de Braga, Luís Montenegro declarou: "Eu creio que seria estranho que não houvesse fiscalização, que não houvesse auditorias cujo objetivo é clarificar e detetar desconformidades, se for o caso, ou então comprovar a regularidade daquilo que foram decisões tomadas ao longo dos últimos anos".
O chefe do executivo sublinhou que quando existem dúvidas, estas devem ser esclarecidas, e que o Governo está a proceder desta forma "com tranquilidade, serenidade e confiança".
"Espero que todos entendam que é precisamente tirando a limpo tudo aquilo que são situações que têm vindo a público que nós podemos credibilizar as instituições e a vida do país", reforçou.
A decisão do Ministério da Justiça de ordenar uma avaliação interna e uma auditoria da Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça (IGSJ) à PJ surge na sequência de notícias relativas à atuação do atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, enquanto dirigiu a instituição policial.
Entre os assuntos em causa estão uma obra numa propriedade de Luís Neves no Alentejo, realizada por uma empresa que tinha sido contratada pela PJ, e a descoberta, na mesma empresa Construbarcelos, de um atrelado apreendido no âmbito de uma operação contra o tráfico de droga.
A ministra da Justiça garantiu que a auditoria visa unicamente "proteger a instituição", rejeitando que um ministro investigue outro ministro.
Luís Montenegro explicou que a decisão da auditoria foi acompanhada e decidida entre si e os ministros do Governo, cada um nas suas respetivas áreas setoriais.
Rejeitando a ideia de que a auditoria possa descredibilizar a Polícia Judiciária, o primeiro-ministro defendeu uma abordagem mais consensual: "Honestamente, eu creio que estamos numa altura da nossa vida enquanto comunidade em que devemos ver as coisas com um espírito um pouco mais consensual".
Segundo fonte da Polícia Judiciária, a auditoria vai centrar-se em contratos e obras públicas realizados entre 01 de janeiro de 2018 e 31 de julho de 2026, período que abrange o final do mandato do antigo diretor nacional Almeida Rodrigues, toda a gestão de Luís Neves e os primeiros meses do mandato do atual diretor, Carlos Cabreiro.









