
Tráfego cai mais de 30% nos estreitos de Ormuz e Bab al-Mandeb
O tráfego marítimo no estreito de Ormuz e em Bab al-Mandeb, porta de entrada para o Mar Vermelho, registou uma queda superior a 30%, podendo afetar um quarto das rotas mundiais de abastecimento de petróleo, segundo dados divulgados pela empresa Kpler.
A Kpler indicou que na terça-feira o tráfego no estreito de Ormuz recuou 31%, enquanto em Bab al-Mandeb a diminuição foi de 34%, resultado do bloqueio marítimo imposto pelos rebeldes huthi do Iémen à Arábia Saudita.
Apesar de o tráfego marítimo se manter em ambas as passagens estratégicas, "a confiança operacional continua sob pressão", revelou a Kpler na sua conta da rede social X, referindo que o trânsito "diminuiu acentuadamente" devido às ameaças e hostilidades na região.
Segundo os dados recolhidos, nesse dia apenas nove navios passaram pelo estreito de Ormuz e 29 por Bab al-Mandeb, situação atribuída ao "contexto de deterioração da segurança".
A Kpler confirmou ainda "quatro manobras de mudança de rumo" de navios perto do Golfo de Adem, que dá acesso ao Mar Vermelho, sugerindo que "os operadores marítimos estão a agir com maior cautela na sequência das ameaças dos huthis contra embarcações ligadas à Arábia Saudita".
Sumit Ritolia, especialista da Kpler em abastecimento de produtos refinados e mercados petrolíferos, afirmou que os petroleiros carregados com crude saudita com destino à Ásia "parecem estar à espera no Mar Vermelho".
"Não estamos a ver nenhuma embarcação de transporte de petróleo saudita a passar pelo estreito (embora algumas possam ter desligado os seus Sistemas de Identificação Automática), ao passo que outros petroleiros, como os que transportam crude russo, continuam a transitar pela área", acrescentou.
Amena Bakr, especialista em petróleo da Kpler, descreveu a situação como "a maior interrupção no fluxo de petróleo, com riscos concentrados no estreito de Ormuz, no Mar Vermelho e no oleoduto CPC (Consórcio do Oleoduto do Cáspio)".
Bakr alertou que, se Bab al-Mandeb e Ormuz "sofrerem interrupções simultâneas e prolongadas, cerca de 25% das rotas mundiais de abastecimento de petróleo poderão ser afectadas".
A Arábia Saudita, que intervém militarmente no Iémen desde 2015, foi acusada pelos huthis de bombardear o Aeroporto Internacional de Sana, na semana passada, para impedir a aterragem de um avião iraniano, acusação que Riade não confirmou nem desmentiu.
O bloqueio marítimo surge numa altura em que a Arábia Saudita, maior produtor da OPEP, explorava rotas alternativas para as suas exportações, muitas delas originadas nos portos do Mar Vermelho.









