
Preços "abusivos" e "loucos" de rendas contestados em Viseu
Residentes em Viseu classificaram hoje de "abusivos" e "loucos" os preços das rendas de casas na cidade e noutros pontos do país, durante uma ação integrada na Semana Nacional de Luta pelo Direito à Habitação.
Promovida pelo movimento Porta a Porta - Casa para Todos, que arrancou na terça-feira e hoje teve paragem em Viseu, a ação pretende dizer "não às políticas de habitação da maioria de direita".
Nelson Gonçalves, do movimento Porta a Porta, explicou à agência Lusa que o objetivo é chamar a atenção para as consequências "das novas medidas que se avizinham, que vêm a trazer ainda mais instabilidade e ainda mais problemas".
"São medidas violentas que vão agravar bastante a situação, que já é de si grave", frisou Nelson Gonçalves, exemplificando com o fim do limite de 2% de aumento no valor das rendas, a permissão para cobrar três rendas antecipadas no início de um novo contrato e a possibilidade de despejo por atrasos no pagamento.
A viver há quatro anos em Viseu, a jovem Júlia Alcântara paga 500 euros de renda por "um T0 que foi transformado num T1", o que implica uma grande ginástica financeira, uma vez que quer ela, quer o marido, recebem o salário mínimo.
"Sei que pago este valor porque já vem de há quatro anos e o senhorio nunca aumentou. Mas se ele decidir aumentar terei de sair, mas não sei para onde", admitiu, contando que se tem apercebido que, neste momento, pedem 750 euros de renda por um T1.
Na sua opinião, os preços praticados em Viseu "são muito elevados, abusivos para o interior do país".
Apesar de ter casa própria, Ramiro Costa mostrou-se indignado com os valores elevados das rendas em Portugal: "não é só em Viseu, estes preços loucos são praticados em todo o país".
Ramiro Costa questionou como é que jovens em início de carreira e sem a vida estabilizada ou idosos com pensões pequenas conseguirão suportar o encargo de uma renda.
"Há muita gente que, neste momento, não tem casa e nenhuma das medidas do Governo vai ajudar a que essas pessoas passem a ter uma casa", lamentou Nelson Gonçalves, sublinhando que "ter uma habitação é um direito constitucional".
Na sua opinião, as novas políticas de habitação "não têm como objetivo melhorar a situação da população, mas sim ajudar a especulação".
A Semana Nacional de Luta pelo Direito à Habitação começou na terça-feira, no Porto. A Viseu e Coimbra seguem-se Covilhã (Feira de São Tiago, 20:00) na quinta-feira e Aveiro (Bairro da Rua 4 de Outubro, 11:00) no sábado.
Em Lisboa, o Porta a Porta vai juntar-se à plataforma Casa para Viver numa concentração em frente ao Ministério da Habitação, agendada para quinta-feira, às 18:30.
A Semana Nacional de Luta pelo Direito à Habitação foi uma das iniciativas aprovadas no primeiro encontro nacional do Porta a Porta - Casa para Todos, realizado no final de junho.









