
Após um Mundial de 2026 dececionante, que futuro espera a Seleção?
A onda de positividade criada em torno do hashtag '#VaiDarPortugal' parecia, antes de o Mundial começar, levar a Seleção em busca do sonho de todos os portugueses: a conquista do título de Campeão do Mundo. Mas era muito mais do que uma ideia de marketing. Era também pelo simbolismo em torno da morte de Diogo Jota e do seu irmão, André Silva, e pela numerologia que Roberto Martínez acreditava que podia também 'ajudar'.
Contudo, no que toca a números, Portugal foi poucas vezes superior dentro de campo e isso acabou por ser evidente não só durante a fase de grupos - à exceção do jogo contra o Uzbequistão -, mas também diante da Croácia e da Espanha, contra a qual a Seleção portuguesa viria a ser eliminada nos oitavos-de-final.
Mas, depois de um Mundial verdadeiramente dececionante, com um novo selecionador e já sem Cristiano Ronaldo em 2030, a questão que fica é a seguinte: que futuro espera a Seleção? A resposta a esta pergunta surge nos parágrafos seguintes.
Jorge Jesus é o sucessor ideal?
Vencedor de inúmeros títulos, tanto em Portugal como no estrangeiro, Jorge Jesus tem um currículo que muitos selecionadores que já passaram pela Seleção não possuíam. Mas também é verdade que o currículo por si só não é uma garantia de sucesso - o caso de Carlo Ancelotti na seleção brasileira é prova disso.
O selecionador do Brasil tinha o mais extenso currículo de entre os 48 selecionadores presentes no Mundial e, mesmo assim, só conseguiu levar a 'canarinha' aos oitavos-de-final, onde acabou por ser eliminada pela Noruega, indo um pouco ao encontro das previsões do site Sportytrader, a grande referência do prognóstico desportivo em Portugal.
Muito pelo carisma que tem, e também pela admiração que foi ganhando por parte do público português nos últimos anos, Jorge Jesus acaba por ser um dos poucos treinadores que, neste momento, parece reunir o essencial para voltar a unir os portugueses em torno da Seleção. E isso, por si só, já é uma grande virtude.
A dúvida em torno de Cristiano Ronaldo
Na antevisão do Portugal-Espanha, a contar para os oitavos-de-final, Cristiano Ronaldo afirmou que este seria o último Campeonato do Mundo que disputaria pela Seleção. Pelas palavras do capitão, não teremos CR7 no próximo torneio, a realizar em solo nacional, mas também em Espanha e Marrocos.
Cristiano Ronaldo foi o segundo jogador mais utilizado por Roberto Martínez neste último Mundial, com um total de 441 minutos. À frente do craque ficaram apenas Diogo Costa e Renato Veiga, guarda-redes e defesa-central, respetivamente, que alinharam todos os minutos que Portugal jogou no Campeonato do Mundo.
Além disso, Cristiano Ronaldo terminou o torneio como o melhor marcador da Seleção, com três golos - dois na goleada ao Uzbequistão (5-0) e um no triunfo por 2-1 sobre a Croácia nos 16 avos-de-final.
Em setembro, Portugal disputa os dois primeiros jogos da Liga A da Liga das Nações, frente ao País de Gales (dia 24) e Noruega (dia 27) e, tendo em conta que Jorge Jesus - antigo treinador do Al Nassr - é agora o selecionador, existe uma boa possibilidade de Cristiano Ronaldo, mesmo com 41 anos, ser chamado para o arranque desta nova versão da Seleção. Mas fará sentido ainda disputar o Europeu de 2028? É a pergunta que fica, para já, sem resposta.
Foi desperdiçada a melhor geração de sempre?
Muito se comentou sobre esta ter sido a melhor geração de sempre de Portugal. De facto, não existe memória de um núcleo de jogadores da Seleção que estivesse tão presente nos principais clubes europeus como aquele que foi convocado para o Mundial deste ano.
E não é preciso fazer um exercício mental assim tão demorado para chegar a essa constatação. Apesar de muito se falar de Cristiano Ronaldo e da sua ausência no próximo Mundial, é preciso não esquecer que existem também outros jogadores que provavelmente também terão feito o seu último Campeonato do Mundo por Portugal este ano.
São, por exemplo, os casos de João Cancelo e Nélson Semedo que terão 36 anos em 2030. Mais à frente, Bruno Fernandes e Bernardo Silva chegarão ao próximo Mundial com 35. Já na baliza, os habituais suplentes José Sá e Rui Silva terão 36 e 35 anos, respetivamente.
A importância da Liga das Nações
A Liga das Nações 2026/27 será a primeira grande competição de Jorge Jesus como selecionador de Portugal e é importante dar uma resposta positiva numa competição em que a Seleção tentará defender o título conquistado com Roberto Martínez.
É preciso não esquecer que Portugal fez uma excelente campanha em 2024/25: terminou no 1.º lugar do Grupo e eliminou Dinamarca (5-2), Alemanha (2-1) e, finalmente, a Espanha (2-2, 5-3 a.p.) no jogo do título.
Existe alguma expectativa em tentar perceber qual será a primeira convocatória de Jorge Jesus, até porque por tudo o que o novo selecionador disse na sua conferência de imprensa de apresentação leva a querer que poderá fazer uma mini-revolução no grupo que vinha a ser convocado pelo anterior selecionador.
As expectativas para 2030
Pela qualidade de grande parte do seu núcleo de jogadores e pelo facto de ser um dos organizadores do torneio, Portugal terá de se apresentar como um dos possíveis candidatos a vencer o Mundial de 2030, mesmo sem Cristiano Ronaldo.
Ainda neste último Campeonato do Mundo voltámos a assistir como o fator casa poderá ser determinante para levar uma seleção menos favorita a seguir em frente na prova: Canadá, México e EUA foram eliminados apenas nos 'oitavos'. Conseguirá Portugal deixar uma boa imagem frente ao seu público?









