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"Comer a Montanha" estreia na Serra da Estrela

O espetáculo transumante de música, dança, teatro e filosofia “Comer a Montanha”, de Matilde Real, acaba de se estrear, no lugar da Nave de Santo António, na Serra da Estrela, após três semanas de residência artística.

“Criado a partir de um processo de investigação artística desenvolvido ao longo de dois anos na Serra da Estrela e inspirado pela convivência com pastores transumantes e habitantes da região, o projeto reúne artistas de diferentes áreas para construir uma criação enraizada nos saberes, nas histórias e nas formas de habitar a montanha”, adianta a produção, a cargo da Trans Húmus, em comunicado enviado à agência Lusa.

As apresentações decorrem ao ar livre, hoje e sexta-feira, a partir das 19:40, a 1.500 metros de altitude, na Nave de Santo António, “um ecossistema singular do nosso país, de grande riqueza e também de grande fragilidade ecológica”.

O espetáculo vai consistir num percurso de cerca de duas horas, “ao encontro de histórias, vozes, rebanhos e pedras”, num périplo que vai incluir momentos de poesia, canto, dança, memória e paisagem.

Em destaque vai estar um poema do pastor Ramiro Rato dedicado ao pai, que será interpretado a cinco vozes, e um diálogo musical entre o próprio pastor e uma cantora de jazz.

“‘Comer a Montanha’ nasce da relação com quem continua a vivê-la e procura abrir espaço para uma reflexão sobre a forma como habitamos um território profundamente ameaçado e transformado pela crise climática”, acrescenta a produção.

O espetáculo pretende ser “um convite para procurar o início de uma amizade com a montanha e descobrir formas de a habitar – de comer a montanha e de nos deixarmos, também, ser transformados por ela”.

Este projeto artístico começou há dois anos, em 2024, quando a artista e criadora Matilde Real participou pela primeira vez na transumância da Serra da Estrela e conheceu o pastor Ramiro Rato, cuja poesia, pensamento e relação com a montanha se tornaram uma das inspirações centrais do espetáculo.

“É um espetáculo com ele e para ele”, assume a diretora artística de “Comer a Montanha”, citada no comunicado.

A lotação das apresentações é limitada para “respeitar a sensibilidade ecológica da Nave de Santo António” e minimizar o impacto neste ecossistema, pelo que as reservas são obrigatórias através do endereço [email protected].

Para facilitar a deslocação, a produção vai disponibilizar um autocarro a partir da Covilhã, com partida às 19:00 da Praça do Município, mediante reserva prévia.

“Comer a Montanha” tem cocriação e interpretação de André Barata, António Bollaño, Dinis Oliveira, Jaime Pereira, Lara Maia, Magnum Soares, Mariana Dionísio, Marta Jardim e Ramiro Menino.

Participam ainda o Coro Viés – Vozes em Intervenção, Alessia Santos, Duarte Marques, Francisco Mendes e Giulianna Almeida, Karina Barreiró e Rodrigo Serrão, entre outros.

O espetáculo conta com o apoio da Direção-Geral das Artes, da Bareva Foundation, dos municípios da Covilhã, no distrito de Castelo Branco, de Manteigas e Seia, no distrito da Guarda, da Pousada de Juventude das Penhas da Saúde e de A Geradora – Cooperativa Integral.

A Beira Serra – Associação de Desenvolvimento, a Coolabora – Intervenção Social, a Universidade da Beira Interior e o Museu dos Lanifícios são instituições parceiras.

Julho 17, 2026 . 17:30

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