
Chamas destruíram Reserva Botânica de loendros em Vouzela
“Aqui estava uma casinha de madeira e ali, naquele corredor de pó mais claro, eram os passadiços. Davam a volta à reserva, com vista para o rio e para uma paisagem de loendros muito bonita. Todos os dias havia aqui visitas e ao fim de semana era muita gente mesmo, porque isto era muito bonito, cheio de cor e agora está assim, negro”, disse à agência Lusa um morador, a propósito do incêndio que começou no dia 02 em Vouzela e antes de apanhar pregos que uniam a madeira das estruturas.
“É para evitar que cheguem ao rio”, justificou.
A reserva Botânica tem 24 hectares e “não restou nada, apesar do loendro ser uma planta difícil de queimar”, acrescentou.
À agência Lusa, o presidente da Câmara de Vouzela, Carlos Oliveira, prometeu que o município “vai intervir para tentar recuperar ao máximo” a reserva que fica a poucos metros da Zona Industrial de Campia, onde ardeu uma fábrica na totalidade.
Uma semana depois, o fumo ainda persiste, assim como pequenos focos, inclusive com chamas e que indicam o local onde outrora existiu madeira e uma unidade industrial de produção de energia por biomassa, hoje reduzida a paredes.
Nas vias, são vários os profissionais que andam a restabelecer as comunicações, cujos fios arderam.
“Estou há uma semana sem televisão. Não sei o que se passa no mundo, porque também não há internet”, relatou Irene Marques.
“Isto foi muito assustador! Não saí de casa, mas as chamas estiveram aqui, à porta”, acrescentou esta moradora.
No terreno de Irene Marques não havia “grandes sinais” de incêndio, mas do outro lado do caminho “morreram as galinhas” do vizinho e, “vá lá, que ainda conseguiu tirar as cabras, mas não houve tempo para mais”.
“Ardeu lenha, ardeu tudo aí”, a um par de metros de distância.
Seguindo a linha do incêndio, na freguesia de Alcofra, é visível a destruição na mancha florestal: uma plantação recente de pinheiros bem alinhados, terreno agrícola cultivado e várias árvores de fruto, tudo com a mesma tonalidade deixada pelas chamas.
“Felizmente, não houve vítimas, nem arderam casas por aqui, mas as nossas coisinhas e o pasto dos animais… As chamas levaram tudo”, indicou Piedade Tomé, que ainda não decidiu “se é melhor comprar pasto ou vender os animais”.
“Mas nesta altura, ninguém os quer e os que se oferecem para comprar não dão dinheiro nenhum, porque sabem que estamos com a corda ao pescoço. Ainda tenho de ver, porque isto dá muito trabalho e já ninguém quer tomar conta de animais”.
Ali, na localidade de Mogueirães, em Campia, no sopé da serra do Caramulo, “a aldeia foi salva pelos bombeiros e pela população mais jovem que ajudou muito”.
“Alguns largaram os empregos para darem uma mão” na defesa dos bens da comunidade.
Este incêndio teve início às 03:04 do dia 02 em Tourelhe, freguesia de Cambra e Carvalhal de Ermidas, concelho de Vouzela, distrito de Viseu, e foi dado como dominado às 12:40 do dia 05.
Com mais de 15 mil hectares destruídos, o fogo, até agora o maior do ano e que provocou dois feridos graves e seis ligeiros, chegou a ser combatido por mais de 1.200 operacionais e atingiu os concelhos de Vouzela, Tondela e Oliveira de Frades, no distrito de Viseu, e também Águeda, já no distrito de Aveiro.







