
Marine Le Pen anuncia que será candidata às eleições presidenciais
A líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen anunciou que será candidata às eleições presidenciais de 2027, horas depois de ter sido condenada a uma pena de um ano de prisão efetiva, sob vigilância eletrónica.
O Tribunal de Recurso de Paris condenou ontem Marine Le Pen a um ano de prisão, com a possibilidade de uso de pulseira eletrónica, por desvio de fundos públicos europeus, mas a instância também decidiu reduzir o seu período de inelegibilidade.
Numa entrevista ao canal TF1, na qual compareceu com o presidente da União Nacional (a sua força política) Jordan Bardella, Marine Le Pen declarou-se inocente e anunciou que irá interpor um recurso junto do Tribunal de Cassação, a mais alta instância judicial francesa, o que “suspende os efeitos do acórdão” do Tribunal de Recurso de Paris.
“Farei, portanto, campanha sem pulseira eletrónica”, acrescentou.
Le Pen foi condenada por desvio de fundos europeus a uma multa de 100.000 euros, três anos de prisão (dois deles suspensos) e 45 meses de incapacidade para exercer cargos públicos (30 deles suspensos), o que significa que já cumpriu os 15 meses da sua inelegibilidade previstos na sentença original, de 31 de março de 2025.
Esta será a quarta campanha presidencial da líder da extrema-direita francesa, tendo chegado por duas vezes à segunda volta nas duas últimas eleições (2017 e 2022), mas acabou derrotada em ambas pelo atual Presidente, Emmanuel Macron, que não poderá se recandidatar.
“Já não há nenhum cenário em que eu não possa candidatar-me”, afirmou ainda, garantindo que “não mudaria de opinião”, apesar do risco de ver a sua pena confirmada dentro de alguns meses, pois tenciona recorrer aos “meios de recurso” que lhe estão disponíveis “para poder defender a [sua] inocência”.
Acrescentou ainda que formaria “uma dupla vencedora” com Jordan Bardella, o presidente do seu partido, que era considerado o “plano B” da formação política de extrema-direita caso Marine Le Pen não se candidatasse.
O político de 30 anos será o seu primeiro-ministro em caso de vitória nas eleições marcadas para abril de 2027.
“Complementamo-nos”, afirmou Le Pen ao referir-se ao seu sucessor, uma vez que ambos, sublinhou, formam “uma dupla de confiança entre primeiro-ministro e Presidente”.
”Temos soluções, e esta dupla é vencedora, é mesmo uma fórmula vencedora”, insistiu, ao afirmar que as ambições políticas de ambos são lutar “pela França”.
“Fiquei feliz por ter sido devolvida aos franceses a sua liberdade de votar e por o tribunal me ter devolvido a minha elegibilidade”, afirmou ainda.
Questionada sobre o que aconteceria caso não seja absolvida, respondeu: “Veremos”. “Serão os franceses a julgar (...) É estranho que se considere os franceses incapazes de tomar uma decisão”, acrescentou.
No seu acórdão, o Tribunal de Recurso de Paris defendeu que a redução da pena de inelegibilidade de Le Pen, em relação à proferida em primeira instância, responde a um critério de proporcionalidade e tem em conta “a liberdade de escolha do eleitor”, ao considerar que esta constitui uma condição essencial para a expressão democrática do sufrágio.
Num comunicado, o tribunal recordou que a inelegibilidade não era uma pena obrigatória na altura em que os factos ocorreram e salientou que a sanção de 15 meses, já cumprida desde a sentença de primeira instância, proferida a 31 de março de 2025, é suficiente para reparar o dano causado à probidade pública.
Mantê-la, acrescentou o tribunal, teria violado “o princípio da liberdade de candidatura”.







