
Ministro admite indícios de origem criminosa no fogo de Vouzela
O ministro da Administração Interna (MAI) afirmou hoje que o dispositivo de combate a incêndios está concentrado no fogo de Vouzela, o que mais preocupa as autoridades, e considerou existirem indícios de origem criminosa na ignição.
Em declarações aos jornalistas, em Torres Novas, Luís Neves disse que a estratégia passa por assegurar um ataque inicial rápido aos incêndios que deflagram, permitindo concentrar meios no fogo de Vouzela, que classificou como a principal preocupação das autoridades.
"Estamos muito concentrados neste grande incêndio que já atinge vários concelhos" e o objetivo é "circunscrever este grande incêndio", afirmou o governante à margem da cerimónia de encerramento da componente teórica do 16.º Curso de Controlo de Fronteiras Aéreas da PSP, em Torres Novas, distrito de Santarém.
O governante afirmou que o incêndio tem sido dificultado pelo vento forte e muito inconstante, além da baixíssima humidade, mas indicou que o vento deverá começar a amainar ao longo do dia, criando condições para uma atuação diferente dos meios de combate.
"O país está preparado. [...] Estamos em situação de alerta", afirmou, acrescentando que a coordenação entre as entidades envolvidas está "muito alinhada" e que o combate inicial aos incêndios tem sido bem-sucedido, permitindo extinguir rapidamente a maioria das ocorrências.
Segundo Luís Neves, o incêndio de Vouzela exige uma concentração significativa de meios humanos, maquinaria e meios aéreos, devido à dimensão e às várias frentes ativas.
Questionado sobre a possibilidade de o incêndio ter tido origem criminosa, o ministro respondeu que "tudo indicia" essa hipótese.
"Não é de noite que há condições para o surgimento de ignições e logo duas ignições por volta das 02:00, 03:00 da manhã", afirmou, concluindo que "tudo indicia que houve, de facto, um comportamento de mão humana, um comportamento criminoso".
O incêndio, que deflagrou às 03:04 de hoje em Tourelhe, no concelho de Vouzela, alastrou à serra do Caramulo, levando à evacuação de duas aldeias no concelho de Tondela e mobilizando, ao início da tarde, cerca de um milhar de operacionais.








