
Nasceu em Viseu a Casa Beirã para dar um símbolo às Beiras
Há cerca de três semanas abriu portas, na rua do Comércio, junto ao Mercado 2 de Maio, um novo espaço que junta arte, café, moda e produtos gourmet. Chama-se Casa Beirã e nasceu da vontade de criar um ponto de encontro onde a identidade da região se cruza com a criatividade.
Por detrás do projeto está Nuno Matos, lisboeta de nascimento, mas beirão por opção. Apesar de ter construído uma carreira de 26 anos na área da gestão, nunca deixou para trás o “bichinho” pelas artes.
Foi precisamente esse desejo, aliado ao ritmo intenso da vida profissional, que o levou a mudar de rumo. "Eu e a minha família apaixonámo-nos por esta terra", explica, referindo-se à aldeia de Águas Boas e Forles, no concelho de Sátão, onde recuperou uma antiga ruína para a transformar no seu ateliê.
A ligação à região inspirou também a criação da peça que deu origem a todo o conceito da Casa Beirã. Na perspetiva do artista, faltava um símbolo que representasse Viseu, "como o Galo de Barcelos representa Barcelos". Foi então que decidiu homenagear a mulher beirã através de uma escultura que resulta de um longo trabalho de pesquisa sobre a história e a identidade das Beiras.
A obra retrata "uma mulher do campo, resiliente", habituada ao trabalho agrícola e às dificuldades da vida no interior, acompanhando a sua evolução ao longo dos tempos.
Com a consciência de que "quando a economia está mal, a arte vai para segundo plano", Nuno decidiu criar um espaço que permitisse dar visibilidade às suas obras, mas que fosse muito mais do que uma galeria. Inspirou-se nos antigos cafés parisienses do início do século XX, locais onde artistas, escritores e pensadores se reuniam para trocar ideias e discutir cultura.
Esse ambiente está presente na Casa Beirã, onde os livros de Aquilino Ribeiro ocupam um lugar de destaque e ajudam a reforçar a ligação ao território. Para o proprietário, o interior continua a precisar de mais atenção e de mais jovens que escolham viver e investir nesta região.
Além das esculturas, o espaço acolhe também a marca de roupa Beirã, criada para valorizar a identidade local. "Gostava de ver os jovens de Viseu a vestir um polo e ter uma Beirã ao peito", afirma. As peças inspiram-se no burel e nos antigos capuchos usados para enfrentar o frio da serra, reinterpretando esse património com cores e padrões contemporâneos.
A oferta completa-se com uma mercearia gourmet. Em vez de repetir aquilo que já existe na região, Nuno optou por trazer outras referências, como queijos do Alentejo, criando uma oferta diferenciadora.
Aberta diariamente entre as 9h00 e as 20h00, horário que poderá ser alargado em dias de eventos no Mercado 2 de Maio, a Casa Beirã tem recebido uma resposta positiva de quem a visita. Embora admita que o movimento ainda não corresponde ao desejado, Nuno garante que o feedback tem sido encorajador.








