
Irão interrompe negociações com EUA após novas ameaças de Trump
“A delegação da República Islâmica do Irão abandonou o local das negociações”, informou o órgão oficial do Governo iraniano, explicando que a decisão foi uma resposta às ameaças de Trump durante as conversações realizadas hoje em Bürgenstock, na Suíça.
Segundo a IRNA, citada pela agência espanhola EFE, a delegação iraniana interrompeu as negociações com os EUA, que estavam a ser mediadas pelo Qatar e pelo Paquistão, e abandonou o local após uma reunião com o mediador qatari.
O Presidente norte-americano advertiu hoje o Irão durante as negociações, afirmando que caso o país não impedisse as ações do seu aliado libanês, o Hezbollah, os Estados Unidos retomariam os ataques “com muita força” contra o regime iraniano.
Além disso, em entrevista à estação televisiva Fox News, Trump alertou Teerão para o encerramento do estreito de Ormuz, afirmando que, se tal acontecesse, “não teriam mais um país e nem sequer poderiam regressar ao seu”, numa aparente referência à equipa de negociação iraniana.
Ainda segundo a agência estatal iraniana, citada pela agência France-Presse (AFP), as conversações "entraram numa fase difícil após 80 minutos de discussões e uma interrupção em resultado da publicação de uma mensagem insultuosa por parte do Presidente dos Estados Unidos".
Trump ameaçou retomar os ataques aéreos contra o Irão caso o país não impedisse os seus aliados do Hezbollah de "causar problemas" no Líbano.
O presidente do parlamento e chefe da equipa de negociação do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, desvalorizou as ameaças e afirmou que as Forças Armadas do Irão estão preparadas para responder a qualquer ação de Washington.
O líder iraniano avisou ainda os Estados Unidos de que “é melhor terem cuidado com as palavras” e reiterou: “Por mais que falem, nós é que agimos”.
As negociações entre o Irão e os Estados Unidos começaram hoje de manhã com reuniões separadas com os países mediadores e, posteriormente, uma reunião multilateral focada na implementação do memorando de entendimento assinado na passada quarta-feira, especialmente no que diz respeito ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, conforme exigido por Teerão.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, que lidera a delegação de Washington, já tinha relatado "grandes avanços" nas negociações, antes das ameaças de Trump.







